Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Broadcast Quant
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
14 de julho de 2026
Artigo de: Marina Grossi
Artigo de Marina Grossi
Londres registrou 36,7°C no fim de junho, temperatura recorde que deformou trilhos e asfalto e chegou a forçar o cancelamento de painéis na London Climate Action Week (LCAW) 2026. A ironia não passou despercebida: o evento criado para debater soluções climáticas foi paralisado, ainda que parcialmente, pelo problema que busca enfrentar.
A onda de calor, porém, é sintoma de um problema que a eletrificação ataca pela raiz, mas não resolve no curto prazo: as emissões que aquecem o planeta. Isso não diminui a urgência do tema; pelo contrário, reforça por que ele dominou os debates em Londres, com o lançamento da plataforma Electrify Now, voltada a acelerar a eletrificação de transportes, indústria e edifícios – os três setores que mais dependem de combustíveis fósseis. A meta que deve ganhar força rumo à COP31, na Turquia, é elevar a eletricidade a 35% da demanda final global de energia até 2035.
Dois argumentos sustentam esse movimento. O primeiro é tecnológico: carros elétricos e painéis solares já são realidade nas ruas, embora desafios de custo, mineração de insumos críticos e capacidade das redes elétricas ainda travem a expansão em várias regiões do mundo. O segundo é geopolítico: os choques nos preços de combustíveis fósseis, do corte no fornecimento de gás russo em 2022 às tensões recentes no Estreito de Ormuz, reacenderam o debate sobre segurança energética e expuseram a vulnerabilidade de países dependentes de importação de petróleo e gás.
Assim, a eletrificação é vista como uma saída para os riscos geopolíticos e para a volatilidade dos combustíveis fósseis, argumentos econômicos que se somam à real necessidade de mitigar os gases de efeito estufa e combater a emergência climática. Chamou a atenção, na LCAW, o endosso do setor empresarial ao tema, que se fez presente em um manifesto liderado pela We Mean Business Coalition, rede internacional que articula o setor privado em torno da ação climática, e foi assinado por mais de 100 grandes empresas, entre elas Unilever, Nestlé, Natura e Iberdrola, pedindo que os governos coloquem a eletrificação no centro das políticas econômicas.
Essa percepção também aparece no estudo Powering Up: Business Perspectives on Electrification, da We Mean Business Coalition, E3G e Global Renewables Alliance: no Brasil, 92% dos executivos ouvidos veem a eletrificação como vetor de competitividade para seus negócios.
O Brasil se posiciona bem nessa discussão. Com uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, o país reúne condições para transformar a eletrificação em um diferencial competitivo para sua indústria e para cadeias exportadoras intensivas em energia, o que dialoga com a neoindustrialização, a política climática e a presidência brasileira da COP30. Essa vantagem se soma a outra igualmente estratégica: cinco décadas de experiência no desenvolvimento de biocombustíveis, que fazem do Brasil um dos poucos países capazes de oferecer um portfólio amplo de soluções para a transição energética.
Essas oportunidades vêm sendo rapidamente capturadas pelas empresas brasileiras. Exemplos disso são a Coalizão do Setor Elétrico e o projeto e-Dutra.
A primeira iniciativa reuniu mais de 70 empresas e organizações ligadas ao setor elétrico, sob coordenação do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a partir de uma demanda da Presidência da COP30. O trabalho construiu uma agenda setorial de transição, que teve como ponto central a convergência entre geração, transmissão, distribuição e consumo para ampliar o papel do setor elétrico brasileiro como vetor de descarbonização de outros setores da economia, com energia limpa, competitiva e segura.
Já a iniciativa e-Dutra busca transformar a Via Dutra (BR-116) no primeiro corredor verde para transporte rodoviário no país, com a adoção de caminhões elétricos e infraestrutura para recarga.
O desafio que ficou claro em Londres não é mais gerar eletricidade limpa, mas integrá-la ao sistema: redes inteligentes, armazenamento, reforço na transmissão e o chamado powershoring (atrair indústrias para regiões com energia renovável abundante e barata) serão decisivos para levar essa energia a quem precisa, quando precisa.
É esse desafio de integração, mais do que a disponibilidade de tecnologia, que vai determinar a velocidade da transição – e é nele que o Brasil, com sua matriz já majoritariamente limpa, tem a oportunidade concreta de liderar pelo exemplo e se tornar referência global rumo à COP31, na Turquia.
* Marina Grossi é presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), entidade com 29 anos de atuação e mais de 100 grandes empresas associadas, Enviada Especial da Presidência da COP30 para o Setor Empresarial.
Os artigos publicados na Broadcast expressam as opiniões e visões de seus autores.
Veja também