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22 de julho de 2026
Por Caroline Aragaki
São Paulo, 22/07/2026 – O dólar à vista caiu 0,43%, a R$ 5,0517 nesta quarta-feira, no piso de fechamento desde 2 de junho. Assim como na véspera, a moeda brasileira foi favorecida pela alta do petróleo e pelo apetite por carry trade – com sinais de fluxo estrangeiro para o Brasil inclusive via Ibovespa, que subiu 2% com o apoio de blue chips.
O contrato futuro para agosto cedia 0,50%, a R$ 5,0625 por volta das 17 horas, enquanto o DXY, que mede o dólar contra seis pares fortes, rondava estabilidade, a -0,05%.
O estrategista da Empiricus Research, Matheus Spiess, avalia que as performances do câmbio e da Bolsa denotam que o Brasil se destoa da realidade internacional, dessa vez para o positivo. “O dólar cai contra o real, em parte por conta do bom desempenho do petróleo, que melhora a perspectiva de balança comercial”, afirma, considerando que o País é exportador líquido da commodity.
O fluxo do petróleo no Oriente Médio segue gerando preocupações e impulsionando as cotações, tanto que o Brent para setembro subiu 3,63%, a US$ 94,07 o barril. Além da continuidade dos conflitos entre Estados Unidos e Irã, o grupo iemenita Houthi tem ameaçado bloquear parte do Estreito de Bab-el-Mandeb.
Para o economista Guilherme Sousa, da Ativa Investimentos, embora o mercado já soubesse que o fim da guerra não seria algo linear, recentemente tem ficado mais difícil ver um fim definitivo do conflito. “Não só existe um problema no fluxo do Estreito de Ormuz, como agora vem se estendendo para outro canal no Mar Vermelho”, afirma.
Spiess, da Empiricus, nota ainda que a cotação mais alta da commodity energética bate na expectativa de inflação e de juros, aumentando a demanda por carry trade. “O Brasil conta com um juro real gordo na comparação com o que existe no exterior”, em média, acrescenta.
Na mesma linha, o economista-chefe para a América Latina do Citi, Ernesto Revilla, afirma que segue apostando na valorização do real em relação ao euro e ao dólar australiano. “O cenário macroeconômico atual ainda indica que os mercados emergentes [como o Brasil] têm potencial para oferecer altos rendimentos reais”, justifica, em relatório.
Nesta tarde, investidores acompanharam falas do governo federal envolvendo os planos Brasil Soberano 2 e 3, programas de apoio a setores afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos, mas sem grande efeito em termos de preço.
Para Sousa, da Ativa, o tarifaço já está bem precificado. “A tarifa de 25% entrou em vigor hoje, e há possibilidade de mais 12,5% na sexta-feira, a partir da justificativa de trabalho forçado. O governo já anunciou medidas em algumas frentes setoriais para compensar as tarifas, e em relação à balança comercial, o Brasil tem conseguido escoar bem seus produtos a outros países”, avalia.
O fluxo cambial total em 2026 até julho ficou positivo em US$ 17,946 bilhões, segundo o Banco Central. A melhora no saldo ocorre principalmente de um fluxo financeiro bem menos negativo do que o observado no mesmo período de 2025, embora o fluxo comercial também tenha melhorado, considera o sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein.
Contato: caroline.aragaki@estadao.com
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