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21 de julho de 2026
Artigo de: Ilan Goldfajn
Por Ilan Goldfajn*

Crédito: Divulgação/BID
O mundo vive duas mudanças estruturais que impulsionam esta oportunidade. De um lado, cresce rapidamente a demanda por baterias, semicondutores, data centers, inteligência artificial e outras tecnologias intensivas em minerais críticos. De outro, governos e empresas buscam cadeias de suprimento mais diversificadas e resilientes, reduzindo a concentração geográfica do processamento desses insumos estratégicos.
A América Latina e o Caribe já exportam cerca de US$ 180 bilhões em minerais críticos por ano e desempenham papel central no abastecimento global desses insumos. Ainda assim, a maior parte do valor agregado continua sendo gerada fora da região.
Hoje, a maior parte dos minerais críticos é extraída em diferentes países da América Latina. O Brasil ocupa posição relevante nesse cenário. O país concentra minerais essenciais para a economia do futuro, como a segunda maior reserva mundial de terras raras, além de importantes reservas de lítio, grafite e outros.
Mas mais de 90% do refino mundial de minerais críticos ocorre fora da América Latina e do Caribe. Diversificar cadeias globais significa também diversificar onde esses minerais são refinados, processados e incorporados à indústria de maneira segura e responsável.
Para a região, promover a extração responsável e ampliar refino e processamento significa se apropriar de uma parcela maior de renda, criando mais empregos e inovação, além de estimular o desenvolvimento tecnológico.
A região vem construindo políticas para fortalecer a produção e refino de minerais críticos e terras raras.
A ideia é atrair investimentos com melhores condições. Transformar potencial geológico em capacidade produtiva exige, porém, mais do que recursos naturais. Exige capital, infraestrutura, conhecimento e um ambiente regulatório capaz de mobilizar investimentos de longo prazo, ao mesmo tempo que se asseguram altos padrões ambientais e sociais.
É justamente para apoiar esse processo que o Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento lançou, neste ano, o programa IDB LAC Minerals. A iniciativa reúne financiamento, assistência técnica e apoio a políticas públicas para ajudar países da América Latina e do Caribe a avançar na cadeia de valor dos minerais críticos, de forma que essa riqueza mineral se transforme em desenvolvimento de longo prazo.
No Brasil, esse apoio inclui parcerias com o Serviço Geológico do Brasil para ampliar o conhecimento sobre depósitos de minerais estratégicos, suporte ao desenvolvimento de políticas públicas para o setor, financiamento à infraestrutura logística e instrumentos para mobilizar investimento privado em projetos de mineração e processamento. O BID Invest também está preparado para financiar diretamente empresas e projetos que fortaleçam essas cadeias produtivas.
Por meio do IDB LAC Minerals, o Grupo BID trabalha atualmente com uma carteira potencial de aproximadamente US$6 bilhões em financiamentos para minerais críticos entre 2026 e 2030, podendo chegar a US$12 bilhões à medida que novos projetos avancem. Cerca de 85% desse volume deverá ser apoiado pelo BID Invest, nosso braço para o setor privado.
Mais do que financiamento, o programa reúne conhecimento técnico e uma rede que conecta os países da América Latina e Caribe com o resto do mundo. O BID atua como ponte e ajuda a aproximar governos, empresas e investidores, levando em conta as características de cada mineral, de cada mercado e de cada país. Não existe uma solução única. Diversificar cadeias de suprimento exige compreender essas diferenças, desenvolver um sólido marco regulatório e construir parcerias de longo prazo, especialmente com as comunidades locais.
Nenhuma instituição ou país fará isso sozinho. A oportunidade depende de uma parceria clara. A região oferece recursos minerais, capacidade técnica e um compromisso crescente com a agregação de valor. Os parceiros internacionais contribuem com capital, tecnologia, preços convidativos e contratos de longo prazo que dão previsibilidade aos investimentos. O papel do BID é aproximar esses atores, apoiando reformas, mobilizando recursos privado e financiando infraestrutura e cadeias produtivas responsáveis.
Em última instância, esta é uma discussão sobre desenvolvimento. O valor dos minerais críticos não está apenas nas rochas, mas na capacidade de transformá-los em conhecimento, indústria, inovação e prosperidade.
A região conta com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, uma vantagem competitiva para desenvolver cadeias produtivas de menor intensidade de carbono. Transformar essas vantagens em capacidade produtiva permitirá a região ocupar posições de maior valor nas cadeias globais, gerar empregos qualificados e impulsionar o crescimento nas próximas décadas. A oportunidade está diante da América Latina e o Caribe. O momento para aproveitá-la é agora.
*Ilan Goldfajn é presidente do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento
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