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Tarifaço deve ter impacto limitado sobre exportadoras na B3

16 de julho de 2026

Por Talita Nascimento e Elisa Calmon

São Paulo, 16/07/2026 – A lista de isenções da nova tarifa de 25% dos Estados Unidos para produtos brasileiros, baseada na seção 301, veio com uma ampla relação de itens isentos, dentre eles a celulose; o petróleo bruto e gás natural; bem como aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais.

Além disso, a medida não traz novidades para o setor siderúrgico, que segue taxado em 50% para exportações ao país.

Klabin, Suzano e siderúrgicas

Das principais commodities exportadas por empresas brasileiras listadas na B3, o papel figura na lista de taxações. No entanto, o responsável pelas análises de ações de siderurgia e papel e celulose do Itaú BBA, Daniel Sasson, não vê impactos relevantes para Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11).

No caso da Klabin, que tem mais exposição a papel do que a par, ele pondera que, mesmo assim, a celulose representa cerca de 40% do negócio. A estimativa de Sasson é de que apenas 2% a 3% da receita da Klabin vem de EUA, com a empresa mais exposta à economia brasileira no setor de papel.

Na mesma linha, o responsável pelas análises do setor na XP, Lucas Laghi, diz que vê impactos limitados para a Klabin e Suzano, visto que a exposição maior aos Estados Unidos está no segmento de celulose, que segue isento.

Em relação ao aço, o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, é categórico: “A medida não se aplica ao aço, que permanece com 50% de tarifa [para exportação aos EUA] desde junho do ano passado. Essa alíquota se aplica ao Brasil e ao mundo, exceto para o Reino Unido”.

Embraer

O setor de aviação, que contempla a Embraer (EMBJ3), por sua vez, também seguiu na lista de exceções. Recentemente, o CEO da companhia, Francisco Gomes Neto, destacou que a fabricante enfrentou “muitas surpresas” com as taxações no ano passado, mas disse esperar que a suspensão fosse mantida.

Em abril de 2025, foi anunciada uma tarifa de 10% para o segmento, porcentual que posteriormente subiu para 50%. “Trabalhando com todas as partes interessadas, conseguimos trazer a tarifa de volta para 10% e, depois, zerá-la”, disse o executivo.

A Embraer informou ainda em março que pagou cerca de US$ 80 milhões em tarifas de exportação aos EUA. Cerca de 85% do valor estava relacionado à divisão de aviação executiva. As cobranças foram interrompidas no fim de fevereiro deste ano. Apesar da suspensão, as tarifas ainda tiveram impacto sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026 da Embraer.

Segundo o CEO, a eliminação das tarifas beneficia tanto a Embraer quanto a economia norte-americana, ressaltando que quase metade dos componentes das aeronaves da fabricante é fornecida por empresas dos Estados Unidos. “Se produzimos menos aviões, compramos menos equipamentos e geramos menos empregos nos EUA”, afirmou.

Contato: talita.ferrari@estadao.com; elisa.ferreira@estadao.com

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