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14 de julho de 2026
Por Mariana Ribas
São Paulo, 14/07/2026 – Os pedidos de recuperação judicial somaram 194 no primeiro trimestre de 2026, registrando alta até março, segundo o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian obtido com exclusividade pela Broadcast. Além disso, os números do período sugerem uma redução de pedidos envolvendo o agronegócio e um aumento nas falências decretadas em relação aos primeiros meses de 2025.
O levantamento mostra que foram registrados 76 pedidos de RJ no mês de março, frente a 60 em janeiro e 58 em fevereiro, somando um total de 194 – resultado menor em comparação ao primeiro trimestre do ano passado, que registrou 234 pedidos. Apesar disso, na avaliação de Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, “não há uma expectativa de que esses números apontem para uma tendência de um ano de 2026 melhor do que o que foi o ano de 2025”, diz.
Para a economista, os dados não representam uma mudança de tendência. “O ambiente de crédito permanece restritivo e, embora o ciclo de flexibilização monetária tenha sido iniciado, os cortes de juros seguem graduais e insuficientes para alterar de forma relevante as condições de financiamento das empresas”, explica.
Setores
Os números mostram um fôlego ao agronegócio e uma maior distribuição dos pedidos entre outros setores. Houve uma redução nos pedidos de recuperação judicial do setor no primeiro trimestre do ano, em que registrou 139 frente a 210 no mesmo período de 2025.
Abdelmalack avalia que esse movimento pode ser explicado pelo fato de que no 1º trimestre de 2025, o agro enfrentou um choque de fluxo de caixa decorrente da combinação de preços menos favoráveis para commodities, juros elevados, restrição de crédito e elevado endividamento acumulado. Porém, ela explica que mesmo com a melhora do cenário no primeiro trimestre de 2026, a recuperação financeira do agro foi limitada e muitos produtores continuam pressionados pelo elevado estoque de dívidas acumuladas nos anos anteriores, pela manutenção de custos financeiros elevados e por um ambiente de crédito ainda mais seletivo.
Nos primeiros três meses de 2026, o setor que mais pediu recuperação judicial foi o de serviços, com um total de 146 processos, mas que também registrou queda em comparação com os 183 pedidos feitos entre janeiro e março do ano anterior. O setor de agropecuária registrou um total de 139 processos durante o período, seguido da indústria com 94 e o comércio, com 78.
Na avaliação de Carolina Mascarenhas, sócia da área de insolvência e reestruturação do Demarest Advogados, embora o agronegócio continue representando parcela relevante dos pedidos, os números sugerem que a pressão hoje está mais distribuída entre diferentes setores da economia. “A indústria, por exemplo, apresentou crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior, o que reforça que o ambiente desafiador não está restrito a um segmento específico”, diz.
Falências
Os dados mostram que cresceram os pedidos de falências ao longo do primeiro trimestre do ano, resultando em um total de 164 requerimentos. Dentro desse número, janeiro registrou 33, fevereiro 53 e março 78. No período, 221 falências foram decretadas. Em comparação com o primeiro trimestre de 2025, o número de pedidos de falência foi de 171, e foram decretadas 161 falências.
Diante disso, Mascarenhas avalia que “o crescimento dos pedidos de falência reforça que parte das companhias já não consegue superar esse ambiente desafiador, evidenciando a importância de uma atuação preventiva e tempestiva na gestão das dificuldades financeiras”, diz.
Contato: mariana.ribas@estadao.com
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