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14 de julho de 2026
Por Leandro Silveira
São Paulo, 14/07/2026 – A Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio) e as entidades que representam a cadeia produtiva do biodiesel entregaram, ontem (13), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma carta em defesa da adoção imediata da mistura obrigatória de 17% de biodiesel no diesel (B17). O documento, apresentado durante visita do presidente ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul (SP), sustenta que o País já reúne condições técnicas, produtivas e econômicas para avançar na política prevista na Lei do Combustível do Futuro.
Na carta, assinada pela FPBio, Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), as entidades afirmam que “o Brasil está preparado”, que “os testes demonstram responsabilidade técnica” e que “o contexto internacional reforça a urgência” de elevar a mistura obrigatória para B17. Segundo elas, a implementação do novo porcentual representa “um passo natural na trajetória estabelecida pela política energética brasileira”.
Como principal justificativa, o setor argumenta que o Brasil concluiu uma ampla etapa de validação técnica para suportar a adoção do B17. Conforme o documento, foi estruturado “um dos maiores programas nacionais de validação realizados no mundo”, reunindo 16 laboratórios e universidades e envolvendo testes em motores, veículos e máquinas agrícolas, com ensaios de durabilidade, desempenho, emissões e análises físico-químicas. Os resultados obtidos até o momento, segundo as entidades, oferecem ao País condições para iniciar um novo ciclo de ampliação da mistura obrigatória.
O documento também destaca que o atual cenário internacional, marcado pela volatilidade dos preços do petróleo e pelas incertezas geopolíticas, reforça a importância dos biocombustíveis para reduzir a dependência brasileira de combustíveis fósseis importados, ampliar a segurança energética e fortalecer a competitividade da economia nacional.
Na avaliação das entidades, a adoção do B17 ainda impulsionará o esmagamento da soja, ampliará a oferta de óleo vegetal e de farelo, beneficiando a cadeia de proteínas animais. A carta afirma que a maior disponibilidade de farelo contribui para reduzir o custo da ração e, consequentemente, o preço da carne. O setor acrescenta que a cadeia responde por cerca de 18% do Produto Interno Bruto (PIB), gera aproximadamente 16 milhões de empregos diretos e indiretos e representa cerca de 26% das exportações brasileiras.
As entidades também defendem que o avanço da mistura estimulará a industrialização do agronegócio, fortalecerá a agricultura familiar por meio do Selo Biocombustível Social, incentivará o desenvolvimento regional e contribuirá para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e de poluentes locais. Além disso, sustentam que uma maior participação dos biocombustíveis reduzirá a exposição do País às oscilações do mercado internacional de petróleo e ajudará a amortecer a volatilidade dos preços dos combustíveis.
Contato: leandro.silveira@estadao.com
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