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IPO da Anthropic testará mercados no 2º semestre, diz Vitória Saddi, da SM Futures

10 de julho de 2026

Por Luciana Xavier

São Paulo, 10/07/2026 – As ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) de empresas de inteligência artificial, sobretudo a esperada abertura de capital da Anthropic, devem ser o principal fator a influenciar o comportamento dos mercados globais no segundo semestre, afirma a trader e economista Vitória Saddi, da SM Futures, em entrevista exclusiva à Broadcast.

Segundo Saddi, os valuations das grandes companhias ligadas à inteligência artificial já dão sinais de descolamento dos fundamentos econômicos, e uma eventual correção pode ter impacto relevante nos índices acionários dos Estados Unidos. “O evento principal do segundo semestre vão ser os IPOs da Anthropic e de outras empresas de inteligência artificial que vão abrir capital. Isso vai dar o tom”, diz. Para ela, o tema tende a pesar mais do que indicadores tradicionais.

Saddi foi economista-chefe para América Latina da Roubini Global Economics, em Nova York, participou da reestruturação da dívida grega em 2011 e lecionou na California State University e no Insper.

A Anthropic, desenvolvedora do modelo Claude, é apontada como uma das principais candidatas a abrir capital nos próximos meses e é avaliada, preliminarmente, entre US$ 400 bilhões e US$ 900 bilhões. Já a OpenAI, criadora do ChatGPT, deve adiar uma eventual estreia na bolsa para 2027, segundo o New York Times. Ela acrescenta que várias empresas na Ásia também podem abrir capital ainda neste ano. A expectativa em torno do setor ganhou força após o IPO da SpaceX, concluído em junho, com valuation próximo de US$ 1,8 trilhão.

A economista avalia que o próprio aumento das discussões sobre uma possível bolha é um sinal de preços distantes dos fundamentos. “Quando as pessoas começam a falar de bolha, já houve um descolamento”, afirma, ao citar as chamadas Sete Magníficas – as sete maiores e mais influentes empresas de tecnologia dos Estados Unidos (Apple, Nvidia, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla). Para ela, algumas avaliações são difíceis de justificar. “O valuation da SpaceX está descolado do mundo real. Quando uma empresa vale mais do que o Produto Interno Bruto da França, algo está errado.”

Saddi avalia que a frequência com que o mercado passou a discutir uma possível bolha já é um indicativo de que os preços se afastaram dos fundamentos econômicos. “Quando as pessoas começam a falar de bolha, já houve um descolamento dos valores dessas MAG 7 do preço delas, do valuation”, afirma, em referência às chamadas Sete Magníficas, o grupo das sete maiores e mais influentes empresas de tecnologia dos Estados Unidos (Apple, Nvidia, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla).

A economista menciona análises do professor de finanças Aswath Damodaran para sustentar a leitura de que os preços estão elevados. Segundo ela, mesmo evitando o termo “bolha”, Damodaran tem alertado para o descolamento entre preços e fundamentos.

Correção

Na visão de Saddi, um ajuste relativamente modesto nas gigantes de tecnologia poderia derrubar de forma desproporcional os índices acionários dos Estados Unidos. “Se o valuation dessas Sete Magníficas reduzir em 5% a 10%, isso dá uma queda no Nasdaq de 15%, o que já configura crise.” Para ela, um ajuste parece inevitável. “Se houver um reajuste para baixo, o que em algum momento vai ocorrer, configura-se que a eventual bolha estourou.”

Apesar do risco, a economista vê perspectivas positivas para a atividade econômica na China e nos Estados Unidos no segundo semestre, desde que o apetite por ativos ligados à inteligência artificial se mantenha e não haja choque associado a uma correção mais forte. “Economista gosta de assumir, mas não dá para assumir que não vai ter nada.”

Para Saddi, a concentração de atenção nas empresas de inteligência artificial transformou os IPOs do setor em um teste relevante para os mercados globais. “Quando todo mundo só fala de bolha, é que o negócio está quente.”

Contato: luciana.xavier@estadao.com

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