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10 de julho de 2026
Por João Caires e Renan Monteiro
Brasília, 10/07/2026 – O Brasil tem uma janela de oportunidade de três anos para conseguir se tornar competitivo no mercado internacional de data centers a ponto de bater de frente com grandes players do setor, como os Estados Unidos. A avaliação é do vice-presidente sênior de Desenvolvimento Corporativo e Fusões e Aquisições da Scala Data Centers, Luciano Fialho.
Segundo ele, a oportunidade vem da limitação momentânea que por que passam países como os EUA e os europeus com restrição de crescimento dada a limitação energética para sua expansão.
“Há uma janela de oportunidade de três anos. É a fila de conexão nos Estados Unidos e na Europa. Para você conseguir conectar um data center na infraestrutura energética, precisa de cinco a sete anos. Nos próximos três anos, haverá um gap de processamento. Se isso se confirmar, essa demanda precisa ser processada em algum outro lugar. Aí entra a oportunidade do Brasil”, disse à Broadcast.
Para isso, afirma, o setor precisa se movimentar “imediatamente” para ter tempo de atrair investimentos estrangeiros e garantir seu espaço entre mercados já consolidados. Caso contrário, a oportunidade se perde. “Para eu entregar alguma coisa daqui a dois, três anos, tem que começar hoje.”
Na avaliação do executivo, a competição é global e envolve um grupo restrito de países capazes de receber grandes investimentos em infraestrutura digital. Segundo ele, caso o Brasil não avance rapidamente na criação de um ambiente competitivo, os recursos podem ser direcionados para outros mercados emergentes que disputam os mesmos projetos, como a Argentina e o Paraguai.
Falta urgência nas discussões – A defesa do setor é que ainda há falta de um “senso de urgência” entre Executivo, Legislativo e a sociedade civil sobre quais serão os prejuízos do Brasil caso perca a oportunidade. Na lista, estaria o risco da perda de autonomia digital.
Para Charles Schramm, gerente executivo da FGV Projetos, que elaborou o estudo “Potenciais Impactos Socioeconômicos da Consolidação do Brasil como Hub Internacional de Infraestrutura Digital na Era da Inteligência Artificial” e constatou que um data center de 100 megawatts (MW) é suficiente para acrescentar ao PIB brasileiro um total de R$ 1,5 bilhão, ainda se faz necessário que haja consciência de “unidade” acerca da pauta de data centers.
“Precisa de um senso de urgência. E não pode mais ser de cada parte, nem individual de cada setor. Precisa ser compreendido que a pauta de data centers é essencial a todos e que a fragmentação não é nova nem benéfica”, disse.
Dependência externa – Fialho afirma que a demora na adoção de medidas para ampliar a competitividade do País pode resultar não apenas na perda de investimentos, mas também no aumento da dependência brasileira de infraestrutura digital instalada no exterior. Segundo ele, atualmente uma parcela relevante dos dados consumidos no Brasil é armazenada fora do País, principalmente nos Estados Unidos.
“O Brasil importa serviços de infraestrutura digital. Se não fizermos essa infraestrutura aqui, outros países vão processar inclusive a demanda brasileira”, afirmou. O executivo argumenta que a discussão sobre data centers deve ser encarada como uma questão estratégica, semelhante à de outras infraestruturas críticas, devido à crescente dependência de serviços digitais por setores como finanças, saúde, educação e administração pública.
Uma das vantagens brasileiras seria a disponibilidade de energia elétrica, insumo considerado fundamental para a expansão dos data centers em meio ao avanço da inteligência artificial.
Enquanto mercados desenvolvidos enfrentam restrições de oferta energética e buscam alternativas para ampliar a geração, o Brasil ainda dispõe de capacidade para receber novos empreendimentos de grande porte.
Além dos investimentos diretos citados por Fialho, o gerente da FGV Projetos defende que a consolidação do País como um hub digital pode gerar ganhos adicionais de produtividade, atração de empresas de tecnologia e formação de mão de obra especializada, ampliando os efeitos econômicos para além daqueles estimados no estudo.
Contato: joao.caires@broadcast.com.br e renan.monteiro@broadcast.com.br
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