Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Rio Bravo vê small caps como opção resiliente em cenário de saída de capital da B3

28 de maio de 2026

Por Vinícius Novais

São Paulo, 28/05/2026 – Coadjuvantes no último rali da Bolsa, as ações de small caps têm o potencial de entregar resiliência e estabilidade às carteiras nos próximos meses. Ao menos essa é a percepção do gestor de Renda Variável e Investimentos da Rio Bravo, Rodrigo Boselli, e do sócio e diretor de crédito, Evandro Buccini.

A leitura deles é que essa classe de papéis tem se mostrado mais resistente a quedas de preço decorrentes de saídas de capital estrangeiro da B3. O fluxo externo para a B3 tem se reduzido fortemente nas últimas semanas, logo depois de um pico de R$ 70 bilhões atingido em meados de abril. Quase 40% desse dinheiro já foi embora, o que tem pressionado ações de blue chips, que surfaram na enxurrada de recursos no primeiro trimestre para a Bolsa.

À Broadcast, Boselli e Buccini explicam que a tendência é que o capital estrangeiro se destine primeiro às blue chips, como bancos, Petrobras e Vale. Depois, em um segundo momento, segue para empresas médias até chegar às de menor capitalização. Ocorre que, no mais recente rali do mercado doméstico, esses recursos não aportaram nas small caps.

“Dessa vez, as empresas menores não andaram tanto. Essa é a verdade. Esse dinheiro não desceu essa camada adicional, seja porque esse capital é mais volátil do que os compradores de longo prazo, ou por ser investidor não tão especializado no papel”, explica Buccini.

Tanto é que o índice de referência desses papéis na B3, o SMLL, acumula em maio queda de 2%, menos intensa que a de outros pares setoriais, como o Financeiro (mais de 6%) e Utilities (10%), que vinham garantindo um caráter defensivo às carteiras.

Boselli aponta que, nos últimos meses, o potencial de valorização – relação entre preço e valor estimado para a companhia – das blue chips da Bolsa diminuiu, exatamente devido à alta que o capital estrangeiro trouxe, mas isso colocou as empresas médias e pequenas em níveis mais interessantes. Três companhias, argumenta, se destacam neste cenário: Vamos, 3Tentos e Tenda.

A Vamos chama a atenção da Rio Bravo devido ao seu modelo de negócio e à ainda baixa penetração no País. A empresa aluga máquinas e veículos pesados com contratos longos, que rondam cinco anos. Boselli destaca que a companhia vem melhorando em pontos que a prejudicaram após a abertura de capital, em 2021.

“A Vamos foi pega pela alta dos juros maior que o esperado, o que levou à retomada de ativos e à diminuição da frota. Além disso, houve problemas de comunicação com o mercado”, pontua Boselli.

Em relação à 3Tentos, Boselli destaca a administração estável, que passa confiança, e a expansão geográfica das operações, principalmente em Mato Grosso. Isso mostra que o modelo de negócio, a produção de sementes, é replicável. Outro ponto de atenção na empresa é o biodiesel, que tem se mostrado um braço rentável e, com a lei do combustível do futuro, inspira otimismo.

“A conjuntura é boa, o estrutural também é muito bom, histórico é muito bom. Esse caso é um retorno sobre patrimônio investido muito grande. Ou seja, geração de valor”, afirma.

O movimento da ação reforça essa tese de fundamentos fortes. Desde sua estreia, o papel acumula alta de 30%.

A Tenda, por sua vez, é a ação em que o fundo Radix, gerido por Boselli, mais aloca seu capital atualmente. Com ganho de 30% em 12 meses, o fundo investe em ações com foco em análise fundamentalista e no longo prazo, de olho em empresas com descontos interessantes.

Para o gestor, a empresa – um dos destaques de alta do mercado local em 2026, com salto de 33% – se beneficia do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que traz mais previsibilidade para o setor, mesmo ponderando que ainda não entrega o caráter defensivo de uma empresa elétrica, por exemplo.

“Me preocupei com o impacto da pressão inflacionária da alta do petróleo na empresa, mas a companhia acalmou o mercado em sua apresentação de resultados”, relata Boselli.

Juros e valuation

Boselli aponta que a frustração do mercado com a mudança da trajetória prevista para os juros ao longo de 2026, com cortes mais contidos e uma Selic final maior, pesou sobre os preços dos ativos na Bolsa, mas ele vê oportunidades criadas nesse cenário.

“A magnitude da variação do preço dos ativos foi maior do que a magnitude dos juros. Não justificada pela alta de juros. Não tem dúvida de que houve uma queda ‘emocionada’, relacionada a essa saída do estrangeiro”, explica Boselli.

A dupla aponta que, em teoria, esse cenário abriu espaço para o investidor institucional brasileiro, mas, com os juros altos, os fundos estão mais tendenciosos à renda fixa. “Quem é o investidor institucional? A alocação dos fundos de pensão em renda variável está em 3%”, destaca Buccini, em tom pessimista.

Contato: vinicius.novais@estadao.com

Veja também