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Operação pode turbinar a liquidez, mas pode acabar diminuindo o patrimônio do BRB e exigir aporte ainda maior de recursos por parte do DF
13 de abril de 2026
Por Cícero Cotrim
A possível venda de até R$ 15 bilhões em ativos que eram do Banco Master e estão com o Banco de Brasília (BRB) para um fundo de investidores, anunciada nesta sexta-feira pelo governo do Distrito Federal, está longe de ser uma bala de prata para solucionar os problemas da instituição. Segundo pessoas que acompanham de perto a situação, a operação tem o mérito de turbinar a liquidez, mas pode acabar diminuindo o patrimônio do banco – e, consequentemente, exigindo um aporte ainda maior de recursos por parte do DF.
Poucas informações estão disponíveis até agora, o que torna difícil avaliar o escopo da operação, segundo uma fonte. O governo do Distrito Federal informou que a venda de parte dos ativos que eram do Master vai render R$ 4 bilhões à vista para o BRB. Os outros R$ 11 bilhões seriam estruturados por meio de “instrumentos financeiros atrelados aos próprios ativos negociados”. No X, a governadora Celina Leão (PP) disse que isso seria feito por meio de ações subsidiárias, sem dar detalhes. A identidade dos compradores também não foi divulgada.
Se por um lado é certo que uma injeção de R$ 4 bilhões em liquidez seria bem-vinda para o BRB, que vem liquidando ativos para reforçar seu caixa, há dúvidas sobre o impacto que essa operação teria sobre o patrimônio do banco. O mais provável é que o valor nominal dos ativos vendidos seja superior a R$ 15 bilhões, e que o BRB tenha oferecido um desconto a esses potenciais investidores para concretizar a venda. Se esse for o caso, a diferença entre esses dois valores vai ser contabilizada como uma perda de patrimônio e aumentar o rombo que tem de ser coberto por meio de um aporte.
O patrimônio é justamente a variável-chave da crise do BRB. Entre 2024 e 2025, o banco comprou mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas originadas pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, que acabaria liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado. Após uma fiscalização do BC, a instituição do DF conseguiu substituir esses créditos inexistentes por outros ativos, mas vai ter de fazer provisões bilionárias contra possíveis perdas, porque há dúvidas sobre a qualidade desses papéis.
Como o BRB ainda não divulgou o balanço de 2025, que vai mostrar o impacto das suas operações com o Master, não se sabe o volume dessas provisões. Mas, no fim do ano passado, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, disse em um depoimento à Polícia Federal que a reserva seria de ao menos R$ 5 bilhões. Já em 2026, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, chegou a mencionar uma cifra mais próxima a R$ 8 bilhões para cobrir as perdas esperadas.
Qualquer um desses números colocaria o patrimônio de referência do BRB, que era próximo de R$ 4 bilhões no primeiro semestre de 2025, em terreno negativo – fazendo o banco descumprir as normas do BC. Por isso, o governo distrital vem buscando recursos para capitalizar a instituição.
Originalmente, a ideia era fazer um aumento de capital de até R$ 8,890 bilhões. Mas, se o patrimônio do banco for reduzido com as operações para obter liquidez, o volume de recursos necessário poderia ser maior.
O DF ainda tenta negociar um empréstimo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e um sindicato de bancos para viabilizar a capitalização. A governadora Celina Leão também conversou com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sobre a situação financeira do BRB. Mas, como mostrou a Broadcast, nem o empréstimo do fundo, nem um socorro da União estão próximos de se materializar.
Na última quarta-feira, 8, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, repetiu que o governo do DF teria de aportar recursos no BRB para solucionar a crise da instituição. “Melhorar o patrimônio depende, efetivamente, de um aporte por parte dos acionistas. É isso que a gente aguarda e vem fazendo todo tipo de comunicação ao BRB aguardando esse equacionamento da questão do acionista para fazer o devido aporte”, disse o banqueiro central, em audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado.
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