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Crédito rural: desembolso no plano safra 2025/26 recua 18,5% até setembro, para R$ 105,4 bi

20 de outubro de 2025

Por Isadora Duarte

Brasília, 20/10/2025 – O valor desembolsado no Plano Safra 2025/26, iniciado em 1º de julho, alcançou R$ 105,371 bilhões até setembro em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores, conforme levantamento realizado pela reportagem. Os dados foram coletados no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor/BCB) do Banco Central. O montante desembolsado no primeiro trimestre do plano agrícola e pecuário corresponde a 26% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões, sem incluir CPRs.

O valor ficou 18,5% abaixo do desembolsado para produtores em igual período da safra 2024/25, de R$ 129,226 bilhões. Até o fim de setembro, foram realizados 616.653 contratos em todas as modalidades, 7,84% menos que o total registrado em igual período da temporada anterior, de 669.116 contratos. Na safra atual, observou-se menor desempenho do crédito oficial desde o primeiro mês da temporada. O primeiro trimestre da safra costuma ser um dos períodos de maior desembolso de crédito rural em virtude das contratações dos produtores de financiamento para a nova safra.

Levantamento do Ministério da Agricultura aponta para R$ 156,057 bilhões liberados nos três primeiros meses da safra incluindo recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) direcionadas – CPRs de produtores financiadas pelos bancos a partir de recursos captados pela emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Considerando os R$ 55,85 bilhões liberados via CPRs de julho a setembro, a retração no desembolso da safra é menor, de 12% ante o ciclo anterior.

A expectativa do ministério é que haja maior tração nos financiamentos a partir da efetivação da renegociação das dívidas rurais, que passou a ser operada ontem em linha de crédito pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “O produtor está mais contido nos financiamentos, sobretudo em investimentos, em momento de preços de commodities conservadores e de patamar elevado de juros, com Selic a 15% ao ano. Além disso, o endividamento crescente no campo somado à onda de recuperações judiciais têm levado os bancos a ficarem mais seletivos na concessão de crédito”, disse o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, ao Broadcast Agro, ao comentar o menor desempenho na safra.

Modalidades e programas

Os financiamentos para custeio somaram R$ 65,842 bilhões em desembolso de julho de a setembro, 17,5% abaixo de igual período do ano-safra anterior, em 271.275 contratos. O valor concedido nas linhas de investimento foi de R$ 19,278 bilhões no período, 34% menos que na temporada passada, em 340.921 contratos. As operações de comercialização atingiram R$ 9,054 bilhões (queda de 19,4%), em 3.764 contratos, e as de industrialização totalizaram R$ 11,198 bilhões (alta de 24,7%), em 693 contratos, em três meses da safra.

No período, 498.960 contratos de crédito foram firmados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), alcançando R$ 21,844 bilhões ao fim de setembro, recuo de 3% ante o ano-safra anterior. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram registradas 74.357 operações, totalizando R$ 25,163 bilhões nos três meses do ano-safra, queda de 13% em um ano. Outros 43.336 contratos foram realizados por grandes produtores, o que correspondeu a R$ 58,364 bilhões em financiamentos de julho a setembro na safra 2025/26, retração de 25% em relação a igual período do ano passado.

A Região Nordeste reportou o maior número de contratos realizados no primeiro trimestre da safra, com 263.424 operações, com R$ 9,624 bilhões financiados. Na sequência, consta o Sul, com 206.970 contratos, e maior valor contratado, de R$ 39,59 bilhões. O Sudeste registrou 95.707 operações de crédito rural de julho a setembro, somando o total de R$ 27,47 bilhões. No Centro-Oeste, foram firmados 28.682 contratos, alcançando a liberação de R$ 22,29 bilhões. No Norte, foram reportadas 21.870 operações, somando R$ 6,404 bilhões. O valor médio por contrato na base nacional foi de R$ 170,875 mil ao fim dos três meses do ano-safra atual, queda de 11,5% ante igual período da temporada passada.

Em relação às fontes de recursos do crédito rural, R$ 39,255 bilhões foram provenientes das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) a taxas livres e controladas, ante R$ 27,637 bilhões de igual período da safra 2024/25. As LCAs continuam como a principal fonte do crédito rural oficial na safra 2025/26. Na sequência, aparecem os recursos obrigatórios respondendo por R$ 24,248 bilhões. Outros R$ 24,849 bilhões de julho a setembro deste ano foram provenientes dos recursos da poupança rural controlados e livres.

No Plano Safra 2025/26, o governo ofereceu R$ 78,2 bilhões para agricultura familiar, R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp, R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores. Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo as CPRs direcionadas. No total, o valor ofertado na safra é de R$ 594,4 bilhões.

Contato: isadora.duarte@estadao.com

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