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Lula deve receber Alcolumbre para conversa no Alvorada após dois meses e meio sem falar com ele

8 de julho de 2026

Por Vera Rosa, do Estadão

Brasília, 08/07/2026 – Dois meses e meio após romper relações com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitou ter uma conversa reservada com ele, no Palácio da Alvorada. Se não houver nenhuma mudança de agenda, o encontro deverá ocorrer nesta semana.

“Nos próximos dias, eles vão conversar”, afirmou o novo líder do PT no Senado, Camilo Santana. “É importante distensionar a relação entre o Executivo e o Senado pelo bem do Brasil e das pautas”, completou o senador, citando a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1.

Camilo também pediu a correligionários e ministros que não se indisponham com Alcolumbre. “Este é o momento de termos calma”, argumentou. “A nossa orientação é para evitar o confronto e procurar o diálogo. Temos de lembrar que somos governo. O meu pedido é para evitar tensionamentos, para que possamos construir pontes e soluções, com o objetivo de destravar os projetos para o Brasil”.

As declarações de Camilo vêm na esteira de um novo princípio de incêndio político. Nesta terça-feira, 8, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), disse que Alcolumbre será tratado como “inimigo dos trabalhadores” se não encaminhar a PEC sobre o fim da escala 6×1 para tramitação no Senado.

A proposta é uma das bandeiras da campanha de Lula à reeleição. Foi aprovada pela Câmara no fim de maio, mas até hoje Alcolumbre não a despachou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nem designou relator para analisá-la.

Em nota, o presidente do Senado afirmou que não se submete a “ultimatos ou pressões político-eleitorais”. Antes mesmo de Uczai, porém, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, já havia criticado Alcolumbre ao dizer que ele “erra feio” e “brinca com fogo” quando engaveta a proposta.

Na prática, desde que o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi obrigado a deixar a liderança do governo no Senado, o Palácio do Planalto perdeu um importante interlocutor com Alcolumbre. Nos últimos dias, no entanto, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, Camilo e a senadora Tereza Leitão (PT-PE) – que assumiu o lugar de Wagner – conseguiram convencer o presidente da importância de acertar os ponteiros no Senado para destravar votações de interesse do governo.

Até hoje Lula não perdoou o presidente do Senado por ele ter ajudado a derrotar, no fim de abril, a indicação do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre queria que Lula tivesse indicado o senador Rodrigo Pacheco (PSB) para a cadeira antes ocupada pelo ministro Luís Roberto Barroso.

Depois desse episódio, os dois nunca mais se falaram. Alcolumbre não só segurou a tramitação da proposta sobre o fim da escala 6×1 como já havia posto na gaveta a PEC da Segurança Pública e ameaçado votar uma nova pauta-bomba, com impacto de R$ 30 bilhões nas contas públicas.

Um time de “bombeiros” entrou em campo, no fim de junho, e conseguiu convencer Alcolumbre a seguir o rito que prevê cinco sessões para a discussão do projeto que cria aposentadoria especial para agentes de saúde e de combate às endemias. Até lá, o grupo pretende apaziguar as relações entre Lula e o presidente do Senado.

Ex-ministro da Educação, Camilo Santana integra a coordenação das campanhas de dois candidatos à reeleição: Lula e o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT).

No Estado comandado pelo PT, Elmano tem enfrentado dificuldades na disputa com o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes, hoje no PSDB. Nos bastidores, o presidente chegou a dizer que, se Elmano não decolar até meados deste mês, Camilo poderia substituí-lo. Até agora, porém, nada foi definido sobre essa troca.

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