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8 de julho de 2026
Por Antonio Perez
São Paulo, 08/07/2026 – Após trocas de sinal pela manhã, o dólar perdeu força frente ao real ao longo da tarde, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior. Apesar da ausência de sinais firmes de arrefecimento das tensões entre Estados Unidos e Irã, houve uma diminuição da aversão ao risco, o que levou à moderação do ritmo de alta do petróleo e, por tabela, das taxas dos Treasuries.
Com máxima de R$ 5,1847 e mínima de R$ 5,1367, o dólar à vista terminou a sessão desta quarta-feira, 8, cotado a R$ 5,1484, queda de 0,09%. Divisas emergentes latino-americanas e o rand sul-africano, principais pares do real, amargaram perdas, embora modestas. A moeda americana acumula desvalorização de 0,28% nos seis primeiros pregões de julho, após avanço de 2,38% em junho.
O economista-chefe da Franklin Templeton Brasil, Adauto Lima, observa que o real teve desempenho superior ao de seus pares com os recrudescimento do risco geopolítico nos últimos dias pelo fato de o Brasil ser exportador líquido de petróleo, o que leva a alta da commodity a se traduzir em melhora dos termos de troca.
“O real performou melhor no período de guerra e perdeu um pouco de valor, junto com as outras moeda emergentes, com a postura mais conservadora do Federal Reserve. Agora, com a volta dos atritos lá fora, sofre menos”, afirma Lima, para quem as questões doméstica, em especial o quadro fiscal, ser refletem mais no mercado de juros.
As cotações do petróleo oscilaram ao sabor de declarações de Trump sobre as negociações com o Irã. Depois de superar US$ 80 no fim da manhã, o barril do Brent para setembro fechou a US$ 78,02, avanço de 5,20%. Trata-se do maior nível desde 22 de junho.
À luz de ataques recentes a embarcações no Estreito de Ormuz, Trump subiu o tom em relação a Teerã pela manhã ao afirmar que o acordo de cessar-fogo “acabou”. À tarde, o republicano disse não saber se quer chegar a um entendimento com o Irã, mas ponderou que não vê uma retomada da guerra.
“No fim das contas, o real acabou se beneficiando dessa alta do petróleo e de outras commodities, destoando hoje do comportamento de outras divisas emergentes”, afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a divisas fortes, o índice DXY rondava a estabilidade no fim da tarde, no limiar dos 101,000 pontos, após máxima aos 101,275 pontos pela manhã. Destaque para os ganhos de cerca de 0,60% da coroa norueguesa, também ligada ao petróleo.
Em formato mais enxuto, seguindo a linha adotada no comunicado de junho, a ata do Federal Reserve (Fed) confirmou a preocupação dos dirigentes do BC americano com a inflação e reiterou a percepção de falta de consenso sobre os rumos da política monetária.
“A ata mostrou divisão dentro do Fed em ambiente de muita incerteza, até porque tivemos alta do petróleo com o retorno de um conflito que parecia prestes a se encerrar”, afirma o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, ressaltando, contudo, que a comunicação recente do Fed é mais conservadora e aponta para elevação do juro básico.
Contato: antonio.perez@estadao.com
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