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Azul sobe de nível na Nyse, promete reduzir mais dívidas e elevar valor de mercado em 150%

9 de julho de 2026

Por Altamiro Silva Junior* e Elisa Calmon

Nova York e São Paulo, 09/07/2026 – Quase 10 anos depois de fazer sua abertura de capital (IPO, em inglês), a Azul subiu de nível hoje na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) ao relistar seus papéis. No período, dobrou a receita, triplicou a geração de caixa, reduziu o endividamento, mas ainda é uma companhia que vale menos hoje no mercado do que quando estreou na bolsa.

Na apresentação para investidores na sede da bolsa em Wall Street, a companhia se comprometeu em reduzir a dívida e elevar o valor de mercado em 150%, até 2029. Também procurou mostrar que vai além de uma companhia aérea, com seis unidades de negócios – de logística e mídia à empresa de fidelidade – e que têm crescido em importância para a geração de receitas.

“Você pode fazer dinheiro quando o passageiro não está viajando”, disse o CEO da Azul, John Rodgerson. Ele mencionou que a empresa já tem um milhão de cartões de crédito emitidos com o Itaú e o programa de fidelidade é fonte importante de receitas, com 21 milhões de participantes, dos quais 1,2 milhão de usuários ativos por mês. As seis unidades de negócio responderam por 23% das receitas no primeiro trimestre de 2026, ante 17% em 2019, e o objetivo é essa participação crescer mais pela frente.

“Muito aconteceu na última década”, afirmou Rodgerson, ao fazer um rápido discurso antes da cerimônia de abertura e o toque do sino no pregão da Nyse, citando a pandemia de covid e os momentos turbulentos que a companhia aérea passou desde então, até sair do Chapter 11, o equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos, em fevereiro. “Viramos a página. Estamos de volta”, disse aos investidores.

A Azul tem atualmente receita 2,2 vezes maior do que quando abriu o capital, em abril de 2017. Na época, a operação levantou R$ 2 bilhões na B3 e na Nyse, com a empresa avaliada em mais de R$ 7 bilhões. Hoje, vale R$ 5,2 bilhões.

Além da receita, o Ebitda (lucro antes dos impostos, juros e amortizações) é 3,2 vezes maior do que em 2017, disse Rodgerson no discurso na Nyse. O endividamento era de 3 vezes e agora é de 2,4 vezes, considerando a relação entre a dívida e o Ebitda. O compromisso é fazer esse número cair ainda mais, para abaixo de 1,5 vez até 2029, segundo o novo diretor financeiro da Azul, Antonio Carlos Garcia, ex-Embraer. Com maior disciplina financeira e geração de caixa, a empresa pode conseguir captar mais barato, reduzindo seu custo em 200 pontos-base.

No momento atual, em que um dia tem guerra, no outro não tem, e no outro volta a ter, o CEO da Azul afirma que é preciso ser mais cauteloso. “É o momento para colocar o peito no chão, porque há balas voando. Um dia tem guerra, no outro não tem. Depois a guerra volta. Não queremos correr riscos nesse ambiente”, afirmou.

Rodgerson classificou como “idiotice” manter o mesmo nível de capacidade diante da disparada dos preços dos combustíveis e defendeu a decisão da companhia de reduzir a oferta para diminuir a exposição aos riscos, assim como fizeram as companhias aéreas mais bem administradas do mundo, como Delta, United e American Airlines. “Você não vê o preço do combustível dobrar e quer voar a mesma quantidade. Acho isso uma idiotice”, afirmou.

Em Nova York, a Azul era listada no segmento Nyse American, uma bolsa de acesso para companhias de menor porte. Agora migrou para o mercado principal da maior bolsa do mundo. No início das negociações nesta quinta-feira, o papel subiu 2%.

Na sede da bolsa, a empresa fez o Azul Day, uma reunião de duas horas com analistas e investidores, muitos deles do mercado de bonds (títulos de dívida), que no processo de reestruturação acabaram virando acionistas por causa da conversão de dívida em ação. Representantes de bancos como JPMorgan e Goldman Sachs estiveram entre os presentes.

*O jornalistas viajou a convite da Azul

Contato: altamiro.junior@estadao.com; elisa.calmon@estadao.com

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