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Ambipar vai emitir US$ 925 mi em novos bonds, garantidos em ativos, para pagar em sete anos

9 de julho de 2026

Por Cynthia Decloedt e Mariana Ribas

São Paulo, 09/07/2026 – O acordo de apoio à reestruturação judicial da Ambipar fechado com detentores de títulos emitidos no exterior, com compromissos de sustentabilidade (greenbonds) prevê a emissão de US$ 925 milhões em novos títulos e pagamento somente em sete anos. Os recursos captados na emissão serão usados para pagar os greenbonds existentes, que somam cerca de US$ 1 bilhão. A Ambipar informa que este acordo está firmado com maioria, ou seja, com detentores de 53,8% dessa dívida com greenbonds.

Esse é o primeiro andamento ocorrido no caso Ambipar desde que entrou com pedido de recuperação judicial em 20 de outubro de 2025, citando dívidas de R$ 10,5 bilhões, das quais os credores externos são maioria. O acionista fundador, Tércio Borlenghi, seguirá na empresa como diretor-executivo.

Segundo o material que está disponível no site da Ambipar, esses papéis terão vencimento único em sete anos e pagarão juro semestral de 10% no formato PIK – com emissão de novos bonds – durante os primeiros 18 meses, desde que o primeiro pagamento em dinheiro ocorra em 31 de dezembro de 2028 e posteriormente serão pagos juros PIK a 2% ao ano e juros em dinheiro a 8% ao ano.

Os novos títulos serão garantidos por ativos nos Estados Unidos e em outras jurisdições e as condições desse plano que foi acordado com os detentores dos greenbonds sujeito à aprovação de todos os credores em Assembleia Geral de Credores. A intenção da companhia é depois recorrer ao Chapter 15 para obter extensão à jurisdição norte-americana dos efeitos do plano aprovado no Brasil.

A Ambipar diz que até a data da petição, havia aproximadamente US$ 550 milhões em greenbonds com vencimento em 2031 e US$ 493 milhões em greenbonds com vencimento em 2033 no mercado. A empresa diz ainda que na ocasião da emissão forneceu garantias limitadas no valor de $200 milhões para os greenbonds 2031 e de US$ 128,2 milhões para os greenbonds 2033.

A expectativa de fontes próximas à Ambipar e aos credores é de que a assembleia aconteça em meados de agosto.

Cronologia

A juíza Caroline Fonseca, da 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, aceitou em outubro de 2025 o pedido de recuperação judicial da Ambipar, diante de um passivo de R$ 10,5 bilhões. Desde setembro, a empresa estava sob proteção de uma medida cautelar concedida pela Justiça contra antecipações de vencimentos de dívidas. O pedido de recuperação veio após uma cobrança de US$ 60 milhões (R$ 321,6 milhões) do Deutsche Bank.

Os detentores de títulos emitidos no exterior têm a maior parte dos créditos, de cerca de R$ 5,4 bilhões. Os investidores de debêntures têm R$ 3 bilhões e um grupo de bancos, R$ 2 bilhões. O BTG Pactual já teria comprado R$ 1 bilhão em bonds (títulos de dívida externa) e no mercado de dívida local, afirmaram as fontes.

Como os bondholders somam maioria, o grupo de gestão ambiental começou a priorizar esses credores para desenhar o plano. Diante desse contexto, na primeira semana de junho, um grupo de bancos tentou ingressar no processo de recuperação judicial da Ambipar que tramita na Justiça dos Estados Unidos, chamado de Chapter 11. O objetivo, segundo fontes, é barrar ou ao menos dificultar o plano de reestruturação desenhado com os bondholders.

O movimento foi inaugurado pelos bancos Bradesco, Sumitomo, Banco do Brasil e ABC Brasil. Depois, o BTG Pactual e o Santander protocolaram pedidos para aderir ao grupo. A Caixa Econômica Federal também fez o mesmo pedido, mas como detentora de títulos de dívida (debêntures) do grupo. Uma audiência online para analisar os pedidos foi marcada, na Justiça norte-americana, para acontecer no dia 24 de julho.

Contato: cynthia.decloedt@estadao.com; mariana.ribas@estadao.com

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