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8 de julho de 2026
Por Roseann Kennedy, do Estadão
O Brasil caminha para o pleito deste ano sob a influência de um sentimento de dupla desilusão. Dados da pesquisa Meio/Ideia divulgados nesta quarta-feira, 8, apontam para um clima de “nem-nem”: nem o atual governo empolga a ponto de garantir a recondução de seu líder, nem o principal adversário se consolida como uma alternativa confortável.
“O cenário estável de aprovação, rejeição e intenção de voto não é positivo nem para o governo e nem para a oposição. De um lado, o presidente Lula segue com números frágeis de reeleição. Do outro, os níveis de rejeição e intenção de voto de Flávio Bolsonaro ainda são insuficientes para vencer as eleições”, observa Mauricio Moura, fundador do IDEIA.
A maioria absoluta da população (51%) avalia que o presidente Lula não merece um novo mandato. 48,5% desaprovam sua liderança e 41% dizem que a gestão é ruim ou péssima. Os números refletem a insatisfação do País, principalmente com a segurança pública, a economia e a saúde.
Do outro lado, porém, a oposição liderada por Flávio Bolsonaro enfrenta um teto de vidro. No quesito “em quem não votaria de jeito nenhum”, há um verdadeiro duelo de rejeitados: Lula registra uma repulsa ligeiramente maior, com 46,4%, enquanto o filho “Zero Um” de Jair Bolsonaro aparece com 43,4%.
A resistência ao nome do presidenciável do PL é o fator que impede um crescimento mais robusto da oposição na corrida eleitoral. “A rejeição segue sendo o maior obstáculo para Flávio Bolsonaro e isso torna esta uma eleição de um governo mal avaliado, fundamentalmente imprevisível”, destaca Cila Schulman, CEO do IDEIA.
Com o eleitorado dividido entre o descontentamento com o presente e o receio em relação à principal alternativa apresentada pela oposição, o brasileiro demonstra apenas um consenso: o cansaço político.
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