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8 de julho de 2026
Por Geovani Bucci
São Paulo, 08/07/2026 – O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira, 8, que o interior paulista “paga um preço caro” pelo tarifaço imposto pelo governo Trump e voltou a criticar a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos em relação às tarifas. Nesse sentido, segundo Haddad, Flávio e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) “são um só”.
“Fico até perplexo de ver empresários do agro, que serão duramente afetados, patrocinando a campanha do Flávio e do Tarcísio, que são pessoas que disseram que nós tínhamos que conceder coisas aos Estados Unidos caso quiséssemos manter boas relações, independentemente de negociação”, disse Haddad, em entrevista ao consórcio de veículos independentes Barão de Itararé.
O ex-ministro da Fazenda afirmou que o País vive um momento em que as pessoas têm tido dificuldade até mesmo de defender os próprios interesses. Segundo ele, empresários do interior de São Paulo não conseguem perceber o quanto considera deletéria a atuação de Flávio e o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro nos EUA.
A alta rejeição de Flávio nas pesquisas – 43% no Datafolha – e a sucessão de crises envolvendo o presidenciável e aliados acenderam um alerta na campanha de Tarcísio. Integrantes do entorno do governador demonstram preocupação com os efeitos da associação entre os dois sobre a tentativa de reeleição em São Paulo, conforme apurou o Estadão/Broadcast.
“Acho que ele está se queimando. Eu tenho visto declarações do entorno do Tarcísio querendo tomar distância do Flávio, como se ele estivesse contaminando a campanha dele”, continuou Haddad. “Mas o fato é que é um grupo só. Às vezes, a extrema direita é um grupo só. Eles representam uma visão de mundo muito atrasada, subserviente.”
O petista disse ainda que o agronegócio tem sentido os efeitos da situação, especialmente porque produtores passaram a arcar com custos de segurança para o transporte de mercadorias produzidas no interior. Segundo ele, a ausência do Estado nessa área tem estimulado, ainda que de forma inadvertida, a atuação de empresas privadas de segurança e criado risco para o início de operações milicianas no interior de São Paulo, em um movimento que comparou ao ocorrido no Rio de Janeiro sob influência do bolsonarismo.
Haddad também defendeu que o governo Lula é responsável por políticas que beneficiam o setor agropecuário. Segundo ele, é o presidente quem viabiliza o Plano Safra “para valer”, com participação do Ministério da Fazenda na estruturação financeira do programa. O pré-candidato afirmou que os Planos Safra têm batido recordes no atual governo e sustentado o crescimento da produção agropecuária.
Ele também atribuiu à diplomacia de Lula a abertura de mercados internacionais para produtos primários brasileiros. Para o petista, o agronegócio cresce com o atual presidente do País. Ao comentar o tarifaço, Haddad afirmou ainda que a medida afetou a economia brasileira, que, segundo ele, poderia ter crescido mais no ano passado.
Contato: geovani.bucci@estadao.com
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