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Snic: Comercialização de cimento no Brasil acumulou alta de 2,3% no primeiro semestre de 2026

8 de julho de 2026

A comercialização de cimento no Brasil acumulou alta de 2,3% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, com um total de 32,9 milhões de toneladas. Apenas no mês de junho, foram vendidas 5,8 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 7,7% frente a igual intervalo de 2025, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

O presidente-executivo do Snic, Paulo Camillo Penna, diz que esse é o melhor desempenho mensal do setor desde 1950, quando começou a série histórica. O destaque segue com as regiões Norte e Nordeste, com os melhores desempenhos.

As vendas foram impulsionadas pelo mercado de trabalho aquecido, com o desemprego até maio em 5,6% – menor taxa para o período desde 2012 – e a população ocupada atingindo a marca histórica de 102,7 milhões de pessoas, o que sustentou a massa salarial em nível elevado.

Penna comenta que, se por um lado o mercado de trabalho aquecido eleva o custo de mão de obra da indústria, por outro, a massa salarial elevada impulsiona o setor. “Estamos atingindo recorde de massa salarial, que tem correlação com venda de cimento. Os sacos de cimento têm um perfil de compra de construção artesanal e informal. A massa salarial e o número de empregos contribuem muito com essa venda. Poderia ser maior ainda, mas os recursos estão sendo migrados para Bets, infelizmente”, afirma.

No mercado imobiliário, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) segue como principal indutor de vendas, representando 50% dos lançamentos imobiliários no 1º trimestre do ano e registrando alta de 10% nas vendas. A entrada da classe média no programa (Faixa 4), a partir de abril, e a revisão da meta governamental para 3 milhões de moradias até o final de 2026 têm potencial para gerar um incremento de 5 milhões de toneladas no consumo de cimento.

Penna afirma ainda que a indústria de cimento vem alertando quanto ao agravamento do endividamento e da inadimplência alavancado pelas apostas on-line há mais de dois anos, sem a correspondente ação governamental que coíba essa prática. O setor também vê com preocupação o uso do FGTS para a quitação de dívidas em programas como o “Novo Desenrola”.

Penna acrescenta que a expectativa de crescimento do setor para o ano é de 2%, o que implica em desaceleração no segundo semestre. Segundo ele, esse movimento se justifica pela menor quantidade de dias úteis na comparação com 2025.

Como ventos contrários na economia, ele cita a alta de custos ligadas ao frete e ao coque de petróleo, os juros persistentemente alto se a não renovação do programa de depreciação acelerada do governo, que estimulava investimentos das empresas.

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