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6 de julho de 2026
Por Pedro Augusto Figueiredo, do Estadão
São Paulo, 06/07/2026 – Pré-candidato a presidente da República, Romeu Zema (Novo) disse nesta segunda-feira, 6, que seu adversário, Renan Santos (Missão), não tem “histórico de entregas” na gestão pública e que por “desconhecimento” critica tudo que foi feito por outros políticos no Brasil.
“Como ele não teve experiência na gestão pública, sai dando tiro como uma metralhadora giratória, prometendo mundos e fundos”, disse Zema. “Se um dia ele estiver do outro lado do balcão, com certeza as coisas mudam”, acrescentou o governador durante a sabatina “No Osso”, promovida pelo grupo apartidário Derrubando Muros.
Zema descartou formar uma chapa com o também pré-candidato a presidente, Ronaldo Caiado (PSD), após a indicação de Gilberto Kassab (PSD) como vice na chapa do ex-governador de Goiás.
O ex-governador de Minas Gerais defendeu a anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o argumento de que a condenação pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) foi mais “política” do que “judicial”.
Moderador do debate, o empresário Zeca Martins, ponderou que a anistia sinalizaria ao restante do mundo que não há segurança jurídica no Brasil, o que seria nocivo para o País. Zema, então, admitiu uma mudança de opinião. “Talvez deveríamos ter um rejulgamento, com pessoas mais isentas”, declarou.
Corte maior do que o teto de gastos de Temer
No campo das propostas, Zema declarou que pretende “passar o facão” nos gastos públicos e promover um corte “muito acima” do teto de gastos criado na gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB).
“Quando o Temer fez o teto de gastos, a taxa de juros caiu pela metade. No meu caso, o que queremos é que ela caia dos 14,5% para algo como 6,5%. Isso vai dar uma alívio gigantesco para os cofres públicos”, disse.
Segundo os cálculos de Zema, o governo federal economizará R$ 700 bilhões por ano somente com o pagamento do serviço da dívida ao reduzir a taxa de juros pela metade.
Em 2016, o então presidente Michel Temer aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) limitando o crescimento das despesas federais à inflação, sem aumento real por 20 anos.
Durante o governo Bolsonaro, o teto de gastos não foi respeitado em diversas ocasiões. As despesas com precatórios, por exemplo, não foram contabilizadas no cálculo.
Ao retornar ao Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) substituiu o mecanismo pelo novo arcabouço fiscal, com regras mais flexíveis. O crescimento dos gastos ficou limitado a 70% do crescimento real das receitas.
Zema defendeu ainda a realização de uma nova reforma previdenciária, da reforma administrativa e disse que vai combater fraudes e mau uso dos programas sociais. Ele voltou a afirmar que pretende privatizar praticamente todas as empresas estatais, como os bancos públicos, mas explicou que há exceções.
“A Embrapa está muito mais para uma fundação, um instituto que não tem finalidade lucrativa. A Casa da Moeda é um caso especial. Tem algumas instituições que estão fora do nosso programa de privatização”, disse o pré-candidato do Novo.
Zema também defendeu o modelo de escolas cívico-militares. Segundo ele, o objetivo é dar opção aos pais que quiserem matricular os filhos nesses estabelecimentos. “Da diversidade você extrai a comparação [sobre qual modelo de escola entrega os melhores resultados]”, disse ele.
A afirmação foi refutada pelo ex-secretário de Educação do Distrito Federal, Rafael Parente, um dos especialistas que participaram da sabatina. De acordo com ele, não há evidências científicas que comprovem que o modelo cívico-militar melhora os resultados educacionais.
O evento ocorreu em um ambiente fechado, com checagem de fatos e da coerência das respostas do ex-governador de Minas Gerais na comparação com declarações dadas anteriormente. O índice geral de coerência de Zema foi de 95,5%, segundo a entidade.
A Derrubando Muros também publicará um relatório, documentando os compromissos assumidos pelos políticos e quais perguntas eles responderam, evitaram ou deixaram de responder. Nesta terça-feira, 7, será a vez de Ronaldo Caiado.
Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) não confirmaram se participarão futuramente da sabatina promovida pelo grupo.
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