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7 de julho de 2026
Por Pedro Lima
São Paulo, 07/07/2026 – A América Latina e o Caribe receberam US$ 188 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED) em 2025, alta de 14% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo desempenho do Brasil, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Apesar do avanço, a entidade alerta que a região atraiu mais capital, mas menos projetos produtivos, o que pode limitar o crescimento futuro.
O Brasil foi o maior responsável pela expansão regional. Os ingressos de IED no País aumentaram de US$ 63 bilhões para US$ 77 bilhões, colocando-o entre os cinco maiores destinos mundiais de investimento estrangeiro. Segundo a Unctad, os fluxos foram favorecidos pelo interesse em commodities e em setores ligados à transição energética.
O relatório destaca ainda que empresas chinesas vêm ampliando sua presença na América do Sul, com investimentos em mineração, transmissão de eletricidade e projetos de energia, reforçando cadeias de suprimento de minerais críticos e de infraestrutura. A agência avalia que esse movimento fortalece o papel estratégico da região na oferta de insumos essenciais para a transição energética.
O México permaneceu como um dos principais destinos de investimento, com entradas avançando de cerca de US$ 38 bilhões para US$ 41 bilhões, apoiadas por sua integração às cadeias regionais de produção e pelos setores de serviços e manufatura. No entanto, a Unctad ressalta que os projetos greenfield anunciados no país recuaram de US$ 44 bilhões para US$ 24 bilhões, refletindo o adiamento ou a redução de investimentos diante das incertezas sobre políticas comercial e industrial. Na Argentina, o valor dos projetos greenfield despencou de cerca de US$ 37 bilhões para US$ 1,4 bilhão.
A entidade observa que os dez principais destinos concentraram 95% dos fluxos de IED da região, evidenciando a elevada concentração dos investimentos. Além disso, o valor dos projetos greenfield caiu cerca de um terço, para menos de US$ 120 bilhões. “Mais capital entrou na região em 2025, mas menos foi comprometido com a construção de novos ativos produtivos”, resume o relatório. Segundo a Unctad, o desafio é transformar o interesse dos investidores em projetos capazes de ampliar a capacidade produtiva, diversificar as economias e gerar maior valor agregado.
Contato: pedro.lima@estadao.com
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