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7 de julho de 2026
Por Pedro Lima
São Paulo, 07/07/2026 – O investimento estrangeiro direto (IED) global cresceu 6% em 2025, para US$ 1,6 trilhão, interrompendo dois anos consecutivos de queda, mas a recuperação permanece frágil e desigual e sustentada por um número limitado de megaprojetos, sobretudo em infraestrutura ligada à inteligência artificial (IA). Em relatório divulgado nesta terça-feira, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) alerta que as tensões geopolíticas, a volatilidade das políticas comerciais e a fragmentação econômica continuam restringindo novos investimentos e devem manter o cenário desafiador.
Segundo a entidade, excluindo fluxos financeiros associados a grandes centros financeiros e hubs de investimento, o avanço do IED foi de 4%. A expansão também se concentrou em economias desenvolvidas, onde as entradas aumentaram 11%, enquanto os países em desenvolvimento registraram crescimento de apenas 2%.
A Unctad destaca que os investimentos estão cada vez mais direcionados a setores considerados estratégicos, como semicondutores, IA, energia limpa e minerais críticos, que responderam por quase metade dos projetos greenfield anunciados em 2025. Em contrapartida, países menos desenvolvidos e economias de renda média-baixa atraíram menos de 10% desses projetos, ante mais de 20% nas demais atividades.
Para a agência da ONU, há uma mudança estrutural na lógica dos investimentos internacionais. “Por décadas, o capital seguiu custo e eficiência. Hoje, o investimento segue cálculo estratégico e política industrial”, afirma o relatório. Nesse ambiente, governos ampliam incentivos e medidas voltadas à segurança econômica, enquanto empresas reorganizam cadeias de suprimentos em função de riscos geopolíticos e comerciais.
Apesar do ambiente mais desafiador, a Unctad avalia que a reconfiguração das cadeias globais de produção abre oportunidades para parte das economias em desenvolvimento, sobretudo como novos polos industriais e de processamento de minerais críticos. No entanto, ressalta que aproveitar esse movimento exigirá investimentos em infraestrutura, qualificação da mão de obra, tecnologia e fortalecimento institucional, além de maior cooperação internacional para evitar que a concentração dos fluxos de capital amplie as desigualdades entre países.
Contato: pedro.lima@estadao.com
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