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6 de julho de 2026
Por Luciana Collet
São Paulo, 07/07/2026 – Em meio a cenários de eventos climáticos cada vez mais extremos, a Axia Energia avança na execução do planos de adaptação para hidrelétricas, linhas de transmissão e subestações consideradas prioritárias, com objetivo de aumentar a resiliência desses ativos frente aos impactos das mudanças do clima.
A iniciativa, elaborada ao longo do ano passado, a partir da análise dos riscos e das oportunidades existentes em todos os empreendimentos operados pela companhia frente a diferentes cenários de clima de curto, médio e longo prazos, identificou 14 usinas potencialmente mais sujeitas a riscos físicos e potenciais impactos financeiros, que correspondem a 76% da capacidade instalada. Mapeou também 50% das linhas de transmissão e 43% das subestações nessas condições.
Foram quantificados os riscos relacionados às ameaças de seca meteorológica e
inundações para as hidrelétricas localizadas em todas as bacias onde a empresa possui instalações. No caso das linhas de transmissão e subestações, foram avaliados os riscos relacionados a tempestades, inundações, ventos extremos, deslizamentos, incêndios florestais, ondas de calor, secas e elevação do nível do mar. Nos dois casos, também foram considerados impactos de transição.
Para cada uma das hidrelétricas selecionadas, foi desenvolvido um plano próprio, com medidas de adaptação que consideram aspectos de infraestrutura, operação, ecossistemas e comunidades do entorno. Entre as ações previstas estão investimentos em modernização da infraestrutura para aumentar a resiliência aos eventos extremos, otimização da gestão de cheias e monitoramento de níveis de reservatórios para garantir vazão em diferentes épocas do ano. Também estão previstas ações de reflorestamento em áreas estratégicas e mapeamento de serviços ecossistêmicos nas bacias.
Já para os ativos de transmissão, foi elaborado um único plano, com medidas como a adoção de modelos de previsão climática para monitoramento de ventos e descargas atmosféricas; reforços estruturais com implementação de tecnologia para reduzir a vulnerabilidade a eventos extremos, e planos de manutenção preventiva ajustados aos riscos meteorológicos.
Investimentos
A Axia Energia não divulga o valor total de investimento considerado nesses planos de adaptação climática. As ações estão incorporadas no plano de investimentos deste ano e dos próximos, explicou a diretora de sustentabilidade da companhia, Marcia Massotti. “A ideia é que todas as ações dos planos de adaptação entrem no horizonte de plano de investimento que temos daqui para frente, até 2030”, disse à Broadcast. Dessa forma, o plano também se conecta à Agenda 2030 e à meta net zero até o fim da década.
A companhia anunciou em fevereiro a previsão de investir entre R$ 12 bilhões e R$ 14 bilhões em 2026 e 2027, acima dos R$ 9,6 bilhões do ano passado. O crescimento é impulsionado por projetos de transmissão arrematados nos leilões, bem como pela aceleração prevista nas obras de reforços e melhorias. Na ocasião, a empresa citou que o montante contempla também valores destinados à “modernização e ao fortalecimento da resiliência dos ativos de geração”.
Somente na modernização da hidrelétrica de Tucuruí, a companhia também anunciou investimento de R$ 1,15 bilhão até 2029, com reforço na casa de força e digitalização completa da usina.
El Niño
A execução do plano de adaptação ocorre num momento em que o mundo convive com a perspectiva de intensificação do El Niño até o fim do ano. A possibilidade de inundações ou altas temperaturas, como reflexo do fenômeno no País, já estava considerada no trabalho. Com isso, as previsões climáticas atuais não acarretaram ajustes no planejamento, segundo Marcia.
Ela afirma que iniciativas já adotadas tornam os ativos melhor preparados para enfrentar as consequências do fenômeno em 2026 do que anos atrás. Um exemplo disso é a criação do ATMOS, o centro de monitoramento em tempo real que reúne dados e soluções meteorológicas para proteger ativos e reduzir riscos operacionais e que recebeu investimento inicial de R$ 30 milhões.
De acordo com a diretora, as atividades do ATMOS já auxiliaram numa melhor atuação da companhia em novembro passado, durante o tornado que afetou o Paraná, com impactos em linhas de transmissão da Axia. “Nós já tínhamos todas as informações antes e não tivemos problema de sequer segundos de falta de energia, porque nossas equipes já estavam em campo preparadas para atuar, exatamente por essa previsibilidade que tínhamos, e com um porcentual altíssimo de localização onde esses eventos vão acontecer”, disse.
A Axia pretende expandir esse sistema e anunciou investimentos adicionais de R$ 110 milhões no centro de monitoramento.
Contato: luciana.collet@estadao.com
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