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B3/Fortunato: produção assistida da duplicata escritural deve começar neste mês

3 de julho de 2026

Por André Marinho

São Paulo, 03/07/2026 – Apesar do lançamento da duplicata escritural em evento na última terça-feira, as escrituradoras ainda dependem de um último aval do Banco Central para iniciar oficialmente a fase de produção assistida do instrumento. A expectativa é de que a nova etapa comece nas próximas semanas, segundo a superintendente de Duplicata Escritural da B3, Roberta Fortunato.

“Não deve demorar, acho que vem ainda neste mês”, disse a executiva, durante cerimônia de toque de companhia para marcar a estreia do produto, na sede da B3, em São Paulo.

Fortunato explicou que as registradoras tiveram que apresentar testes complementares por causa da Resolução 540 do BC, publicada após o plano original. Agora, o órgão regulador está avaliando a documentação para decidir se os procedimentos foram suficientes para abrir a produção assistida. “Ainda tem uma parte de comunicação que a gente precisa fazer com o mercado”, disse.

Quando a autorização for concedida, as três registradoras que concluíram os testes (B3, Núclea e Cerc) poderão iniciar a nova etapa simultaneamente. Além delas, SPC Grafeno e Quick Soft estão em fase de testes e devem avançar ao longo do segundo semestre.

Na avaliação de Fortunato, poucas empresas devem aderir neste primeiro momento, em que a participação ainda é voluntária. O setor produtivo está preparando processos e sistemas, mas a movimentação maior deve vir apenas no começo de 2027. “As empresas não estão preparadas agora, à exceção de alguns clientes com operações pontuais”, diz.

A executiva acrescenta que ainda há incertezas sobre o custo da interoperabilidade, que garante a todos os elos da cadeia o acesso às informações de forma padronizada, segura e automática.

Mercado de R$ 10 trilhões

A duplicata é um título de crédito que representa a venda de produtos ou serviços a prazo, muito usado por empresas para antecipação de recebíveis. Na versão escritural, o instrumento será digitalizado em um ambiente eletrônico que apresentará as informações de forma equânime, em dinâmica semelhante a do Open Finance. A expectativa é de que o novo balcão reduza os custos do crédito.

Atualmente, pelo modelo mercantil, a duplicata movimenta cerca de R$ 10 trilhões anualmente, conforme estimativas da indústria.

Durante a produção assistida, o novo modelo será implementado de forma controlada com um grupo seleto de clientes. Pelo cronograma estabelecido pelo BC, essa fase deve se estender pelos próximos seis meses. Em meados do ano que vem, a adoção obrigatória será instituída de forma escalonada. Inicialmente, os bancos terão que registrar as duplicatas no modelo escritural para as grandes empresas e, aos poucos, a exigência será estendida para incluir as operações com companhias menores – processo que deve terminar em 2028.

Contato: andre.marinho@estadao.com

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