Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Broadcast Quant
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
Aposta é que oferta pública inicial de ações da SpaceX, de Elon Musk, agora em 2026 avance e reacenda o mercado
3 de abril de 2026
Por Aline Bronzati, correspondente
As expectativas otimistas de banqueiros de Wall Street por uma retomada mais forte do mercado de capitais no início do ano foram frustradas. A perspectiva de uma onda de negócios perdeu força com o tombo das ações de empresas de software, diante do temor de que a inteligência artificial (IA) afete companhias do setor e, no último mês, com a guerra contra o Irã. Ainda assim, uma aposta virou tábua de salvação para 2026: que a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX, de Elon Musk, avance e reacenda o principal mercado de aberturas de capital do mundo.
Wall Street teve apenas 26 IPOs no primeiro trimestre, metade do total de um ano antes, segundo levantamento da americana Dealogic, a pedido da Broadcast. Foi o começo de ano mais fraco em número de operações desde a eclosão da guerra na Ucrânia, em 2022. Em volume, porém, as ofertas somaram US$ 10,527 bilhões entre janeiro e março, alta de mais de 18% ante o mesmo período de 2025 e o melhor início desde 2021.

Fonte: Dealogic
A baixa temporada de IPOs em Wall Street no primeiro trimestre abriu espaço para o Brasil ganhar destaque em Nova York. A oferta do PicPay na Nasdaq, controlado pela holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, ficou entre as 20 maiores estreias nas bolsas americanas no período, segundo a Dealogic. Com captação de cerca de US$ 500 milhões, a empresa ficou em oitavo lugar e foi o primeiro IPO verde e amarelo em Wall Street em cinco anos. O último havia sido o do Nubank, em 2021.
Além do Brasil, só o Japão, em segundo lugar, emplacou um IPO em Wall Street entre as 20 maiores listagens do primeiro trimestre. As demais foram de companhias americanas. Na liderança ficou a Forgent, que fabrica equipamentos para data centers e levantou mais de US$ 1,7 bilhão em sua oferta na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse, na sigla em inglês).
Os planos de outras companhias de se listarem em Wall Street foram afetados pela derrocada das ações do setor de software, movimento batizado de “Armagedom do software”, e pela escalada das tensões no Oriente Médio. Nesta lista, estão nomes como a Liftoff Mobile, apoiada pela Blackstone, a corretora Clear Street e a empresa de pagamentos digitais PhonePe, controlada pelo Walmart, que adiaram suas captações.

Fonte: Dealogic
Um raio de esperança começou a surgir para os banqueiros de Wall Street: o IPO da SpaceX. A empresa de foguetes, fundada por Musk em 2002, avança nos planos de se listar nos EUA, com avaliação de até US$ 1,75 trilhão e captação de até US$ 75 bilhões, o que a tornaria a maior abertura de capital da história. Segundo fontes, a companhia já protocolou, de forma confidencial, a documentação da oferta na Securities and Exchange Commission (SEC), reguladora do mercado de capitais americano. O formato busca dar mais flexibilidade à operação, prevista para até junho.
“O maior interesse por este IPO está nos data centers de IA espaciais, diretamente ligados à fusão com a xAI, onde a SpaceX espera lançar milhões de satélites e construir data centers no espaço para reforçar a computação em nuvem e IA”, diz o analista da WedBush, Daniel Ives.
Os assessores do que promete ser o maior IPO da história já foram escalados. A SpaceX trabalha com ao menos 21 bancos na operação. Além dos pesos pesados de Wall Street como Morgan Stanley, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup, como coordenadores, o BTG Pactual é o único banco brasileiro, da América Latina e de mercados emergentes na lista de instituições em papéis secundários, que inclui ainda UBS e Santander, entre outros.
O IPO da SpaceX, que tem codinome interno de “Projeto Apex”, pode ser o primeiro de três grandes que são esperados para 2026. Nos bastidores de Wall Street, comenta-se que as empresas de inteligência artificial OpenAI e Anthropic monitoram o mercado para possíveis IPOs.
Para o UBS, a extensão do conflito no Oriente Médio e o choque nos preços do petróleo estão entre os principais desafios para as ações americanas. Já a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde escoa ao menos 20% da produção global da commodity, a estabilidade do mercado de trabalho nos EUA e sinais de que a crise no crédito privado não representa risco relevante podem favorecer Wall Street e uma retomada dos IPOs, avalia.
“O conflito contínuo no Oriente Médio continua a dominar o sentimento do mercado, com manchetes inconsistentes relacionadas a possíveis negociações de paz que têm perturbado os mercados, minando a confiança em uma resolução de curto prazo”, diz o UBS, em análise sobre o mercado de ações dos EUA direcionada a clientes.
A expectativa de grandes IPOs nos EUA também acirra a disputa entre as bolsas de Wall Street. De olho na listagem da SpaceX, a Nasdaq anunciou uma mudança para facilitar a entrada de ofertas de grande porte em seus índices. Pela nova regra, uma empresa poderá ingressar no Nasdaq 100 após 15 pregões. Hoje, o requisito é esperar ao menos três meses completos, sem contar o mês do IPO.
Em paralelo, a S&P Dow Jones Índices avalia possíveis flexibilizações nas regras de elegibilidade do S&P 500. A Nyse também está no páreo pelo IPO da SpaceX. “A facilidade para IPOs em meio a regulamentações menos rígidas para empresas de capital aberto parece estar abrindo o horizonte para IPOs e aumentando as ofertas de ações”, diz a analista de estratégia de ações do Bank of America, Savita Subramanian.
Veja também