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29 de maio de 2026
Por Patricia Lara e Arícia Martins, da Broadcast, e Felipe Frazão, do Estadão*
Em comunicado assinado pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, o país informou na noite de ontem que designou os grupos criminosos Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A medida, que vai contra os interesses do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e teve apoio explícito do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, passará a valer no próximo dia 5 de junho. “Hoje [ontem], designei essas organizações como Organizações Terroristas Estrangeiras e como Terroristas Globais Especialmente Designados”, escreveu Rubio no X.
Integrantes do governo Lula vão se reunir hoje para avaliar uma reação à medida dos EUA. O Planalto ainda vai decidir se o próprio presidente da República vai reagir ou se o Itamaraty, equivalente ao Departamento de Estado, comandará a resposta pública. Membros de ministérios envolvidos, como Justiça, também serão ouvidos para avaliar o alcance da decisão. O assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim, já reagiu em nota. De acordo com Amorim, a ação da Casa Branca não pode ser um pretexto para uma intervenção americana no Brasil.
Outro temor do governo é o efeito econômico. O Brasil monitora e recebeu manifestação de preocupação do setor financeiro com eventuais sanções. Diplomatas citam o caso do México, onde grandes bancos foram proibidos de fazer transações com os EUA sob acusação de lavar dinheiro para cartéis, no ano passado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comemorou na noite de ontem a classificação dos EUA das duas organizações criminosas como terroristas. A listagem foi um dos pleitos de Flávio na reunião com o presidente Donald Trump, realizada nesta semana. “Grande dia”, escreveu o senador em suas redes sociais, compartilhando a publicação de Rubio no X sobre o assunto.
Ontem também representantes do Chile, Argentina, Peru, Equador e Bolívia assinaram um acordo para criar um plano de combate ao crime organizado nos países, em um encontro em Santiago, capital chilena. O plano busca elaborar medidas concretas, mensuráveis e verificáveis em cinco áreas prioritárias, como a troca de informações entre serviços de inteligência, polícias e promotorias, além da coordenação e controle fronteiriço, rastreamento de recursos financeiros ilícitos e cooperação entre órgãos técnicos nacionais.
Colaboraram Letícia Araújo, Amélia Alves, André Marinho e Naomi Matsui, com informações da AP
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