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Casa dos Ventos inicia operação de usina dedicada à Sabesp e quer mais contratos em saneamento

29 de junho de 2026

Por Luciana Collet

São Paulo, 29/06/2026 – A Casa dos Ventos prevê iniciar em julho a operação comercial do complexo solar Rio Brilhante, em Campo Grande (MS), uma antecipação de cerca de dois meses em relação ao cronograma contratual. O empreendimento, de 491 megawatts médios (MWm), foi viabilizado por meio de contrato com a Sabesp e exigiu aproximadamente R$ 1,5 bilhão em investimentos.

Esse é o primeiro contrato da Casa dos Ventos no setor de saneamento, e segundo maior dedicado exclusivamente a um consumidor de energia, atrás apenas de acordo acertado com a ArcelorMittal, que envolve um complexo eólico e solar na Bahia com mais de 750 megawatts (MW) de potência instalada. “Saneamento é um segmento importante para nós, que passa por um processo de privatização; é um setor muito intensivo em energia e, ao privatizar, ganha certa sofisticação para otimização de contratos e para migrar para autoprodução eventualmente, então é um setor que olhamos com atenção, dado o volume e a representatividade da energia para o negócio”, disse o diretor-executivo da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, à Broadcast.

Uma das alternativas para crescer no setor de saneamento está na possibilidade de ampliar a parceria com a própria Sabesp. “Eles contrataram um volume inicial, mas ainda tem cargas migrando para o mercado livre, então é uma empresa que também tem possibilidade de expansão, seja com a gente, seja com algum player”, afirmou.

Conforme Araripe, a Casa dos Ventos hoje é o maior provedor de energia da Sabesp, após se sagrar vencedor em processo licitatório que começou quando a empresa ainda era estatal, mas cujas negociações contratuais foram finalizadas pós-privatização, em novembro do ano passado. O contrato envolve o fornecimento de 126 megawatts médios (MWm), o que corresponde a 38% do consumo da Sabesp.

Por se localizar no Mato Grosso do Sul, o complexo solar Rio Brilhante evita preocupações dos parceiros com potencial risco de descasamento de preços entre os submercados, uma questão que tem gerado custos adicionais para os agentes com geração no Nordeste, onde o preço do megawatt-hora é mais baixo, e consumo no Sudeste/Centro-Oeste, submercado em que os preços são mais elevados. Araripe também destaca que essa localização proporciona “mais conforto” frente à possibilidade de cortes de geração (curtailment), uma vez que não há gargalos de transmissão para o escoamento da energia.

Para Sabesp, além de garantir energia renovável que colabora na descarbonização da companhia, o contrato, no modelo de autoprodução por arrendamento, também proporciona maior previsibilidade de custos e benefícios associados à isenção de encargos setoriais previstos para autoprodutores de energia. “Essa parceria está além do cumprimento de metas climáticas. Ela reforça o nosso compromisso com a resiliência energética ao mesmo tempo que impulsiona a adoção de fontes limpas e renováveis, que dentro de poucos anos devem representar quase a totalidade do consumo de energia da Sabesp”, disse a diretora executiva e de Regulação e Gestão de Energia da companhia, Luciane Domingues.

A Sabesp é hoje a oitava maior consumidora de energia elétrica do País. Conforme plano de descarbonização divulgado em novembro passado, a companhia prevê a redução de 15% das emissões nos próximos 10 anos, sendo uma diminuição de 43% no Escopo 2, que envolve o consumo de energia.

Contato: Luciana.collet@estadao.com

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