Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Broadcast Quant
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
2 de julho de 2026
Por Talita Nascimento
São Paulo, 02/07/2026 – Mesmo com o conflito entre Estados Unidos e Irã ainda sem resolução definitiva, as projeções para o preço do petróleo no fim de 2026 e em 2027, feitas por diferentes casas, têm indicado uma tendência de baixa. Elas variam em intensidade, mas seguem a mesma direção. Enquanto isso, o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês) mantém expectativas de preços mais altos.
Em relatório, o JP Morgan explica que, embora a magnitude e a duração do que chama de “choque do petróleo” tenham evoluído, em linhas gerais, conforme o esperado, o mercado se reequilibrou.
“As reduções dos estoques comerciais da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) – a variável mais sensível ao preço em nosso arcabouço – ficaram abaixo das expectativas, enquanto as perdas de demanda foram maiores do que o esperado, o que implica uma pressão de alta materialmente menor sobre os preços do petróleo do que em nossa previsão original”, escreveram os analistas do banco na última semana.
Nesse sentido, a instituição financeira projeta o petróleo com média de US$ 86 no terceiro trimestre de 2026 e de US$ 80 no quarto trimestre deste ano, encerrando 2026 em US$ 78 o barril. Para 2027, a média esperada é de US$ 64. O banco tem a previsão para o fim de 2026 acima dos US$ 72 pelos quais os contratos futuros de petróleo são negociados hoje. Já para a média de 2027, a previsão do JP está abaixo da média dos contratos futuros, de cerca de US$ 71.
Os números são mais baixos para o preço da commodity do que os do último relatório do DoE, que manteve sua projeção para o preço médio do petróleo. Para o órgão, o preço do Brent deve ficar na faixa de US$ 95 por barril em 2026 e de US$ 79 em 2027, estimativas inalteradas em comparação ao relatório de maio.
No documento, o órgão americano pondera que as exportações de petróleo devem ser retomadas no próximo trimestre, mas que levará meses até que o tráfego volte gradualmente aos níveis anteriores ao conflito. “Não acreditamos que isso acontecerá até meados de 2027. Esperamos que a produção no Oriente Médio continue interrompida além do prazo previsto pelas projeções”, destaca. No fechamento de ontem, 1º, o Brent para setembro recuou 1,89%, a US$ 71,57 o barril.
O Morgan Stanley, por sua vez, avalia que, para equilibrar o mercado em 2027, os fluxos do Estreito de Ormuz só precisam atingir 65% do nível pré-conflito. “Olhando para 2027, nossa premissa de modelagem é que esse nível será excedido e que os estoques observáveis aumentarão em 3 mb/d (milhões de barris por dia), o que provavelmente pressionará os preços”, diz o banco em relatório.
Os analistas explicam que, no início de 2026, antes do conflito, os cálculos indicavam um mercado com superávit de 2 a 3 mb/d no ano seguinte. O fechamento do Estreito de Ormuz, por sua vez, transformou esse superávit em um grande déficit de 4,8 mb/d. “Com a reabertura do Estreito, o quadro de 2027 que volta a aparecer se parece muito com o de antes da guerra – só que mais baixista.”
De um lado, o banco considera que o mercado agora embute um prêmio de risco porque ficou claro que o Estreito de Ormuz pode voltar a fechar e os fluxos de 2027 são incertos. Por outro, a tendência de baixa nos preços decorre de fatores que podem aumentar a oferta: Emirados Árabes fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com expectativa de mais produção; Irã com alívio de sanções; e Venezuela e EUA com produção acima do esperado. Soma-se a isso uma demanda um pouco menor em 2027.
Nesse contexto, a previsão do banco é de US$ 75 o barril no quarto trimestre de 2026 – patamar que se manteria no início do próximo ano – e de queda para US$ 70 no fim de 2027.
Já o Citi escreveu na última semana que, mesmo que o acordo mais recente entre Estados Unidos e Irã se mostrasse duradouro e o estreito permanecesse aberto, os preços do petróleo Brent ficariam com média de aproximadamente US$ 75 o barril no segundo semestre do ano, cerca de US$ 10 acima do que o banco esperava antes do conflito, refletindo danos recentes à produção, a oleodutos e à capacidade de refino, além do aumento da demanda por petróleo para recompor estoques.
“Por outro lado, o memorando de entendimento entre os países permite que o Irã aumente significativamente suas exportações de petróleo, o que pode ser uma importante fonte adicional de oferta”, escrevem os analistas do banco. Para o quarto trimestre de 2027, a expectativa do Citi é de US$ 70 o barril.
Contato: talita.ferrari@estadao.com
Veja também