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2 de julho de 2026
Por Geovani Bucci
São Paulo, 02/07/2026 – O pré-candidato do PL à Presidência da República e senador Flávio Bolsonaro (RJ) enviou nesta quinta-feira, 2, uma manifestação ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) na qual pede a suspensão imediata da tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras.
“As tarifas propostas recompensariam exatamente os infratores que pretendem punir”, afirma o documento.
Na carta, a equipe de Flávio reuniu reportagens para sustentar que a tarifa passou a ser explorada politicamente pelo governo e por veículos de imprensa alinhados ao Palácio do Planalto. Segundo o senador, a medida foi convertida em uma acusação de traição contra a oposição.
Flávio argumenta que os únicos instrumentos capazes de atingir diretamente os responsáveis pelas práticas questionadas – sanções pela Lei Magnitsky e restrições de visto – teriam sido retirados em meio a uma negociação comercial privada. Também afirma que a pressão tarifária, em vez de constranger o governo, fortalece o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu projeto de reeleição em outubro.
“Para os propósitos da USTR, a conclusão relevante é restrita e empírica: uma tarifa de 25% sobre a economia brasileira não pressiona o agente responsável pelas práticas sob investigação; ela o recompensa. Isso representa falha no padrão de eficácia previsto na lei, independentemente de qualquer preferência eleitoral”, diz o documento.
Flávio sustenta que as tarifas propostas acabariam por recompensar o governo brasileiro pela estratégia que, segundo ele, adotou: bloquear negociações, provocar uma retaliação de Washington e transformar a medida em ganho político interno.
O pré-candidato à Presidência afirmou ainda que os custos recairiam tanto sobre a economia americana quanto sobre brasileiros e investidores dos Estados Unidos no País que defendem uma relação bilateral construtiva e mutuamente benéfica.
Nesse contexto, Flávio também saiu em defesa do Pix, que classificou como uma das marcas da gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022). Embora a estruturação técnica do sistema tenha começado em maio de 2018, com a criação, pelo Banco Central, de um grupo de trabalho para definir regras e arquitetura, bolsonaristas costumam associar o mecanismo ao ex-presidente porque seu lançamento ocorreu em 2020.
O senador descreve o Pix como uma infraestrutura pública de pagamentos “soberana”, e não como uma empresa comercial concorrente. Na argumentação, afirma que os volumes de cartões americanos no Brasil continuaram a crescer após a criação do sistema e que a formalização de dezenas de milhões de brasileiros ampliou o mercado consumidor para companhias dos Estados Unidos no País.
Ele também afirma haver espaço para o governo reduzir regulações e tributos incidentes sobre meios privados de pagamento, como cartões, adquirentes e outros arranjos. Segundo Flávio, esses instrumentos oferecem serviços que o Pix não substitui, como crédito ao consumidor, parcelamento, proteção em disputas e mecanismos de estorno.
“O sinal decisivo seria um compromisso legislativo de que o Pix não será interligado a arranjos transfronteiriços de liquidação de pagamentos não ocidentais”, propõe Flávio.
A proposta do governo de Donald Trump de sobretaxar produtos brasileiros decorre de uma investigação conduzida com base na Seção 301, que aponta supostas práticas desleais e discriminatórias do Brasil em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e combate ao desmatamento ilegal.
Contato: geovani.bucci@estadao.com
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