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30 de junho de 2026
Por Francisco Carlos de Assis
São Paulo, 30/06/2026 – A portabilidade de crédito via Open Finance pode reduzir pela metade o comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas e redesenhar a concorrência no sistema financeiro. É o que mostra um estudo inédito elaborado pela Chicago Advisory Partners, ao qual a Broadcast teve acesso com exclusividade. A análise aponta que a combinação entre maior competição entre instituições e transparência de dados em tempo real tende a pressionar os juros para baixo, especialmente em um país como o Brasil, onde o mercado ainda é concentrado.
O levantamento foi elaborado com base em dados da plataforma Vector360, ferramenta que acompanha em tempo real as taxas de crédito oferecidas por diversas instituições. No pano de fundo, está um mercado de crédito que soma R$ 7,2 trilhões no Brasil. Desse total, o crédito para pessoas físicas representa R$ 4,5 trilhões. Isso equivale a 63% do mercado, que cresce a um ritmo de 13,6% ao ano.
Para medir o efeito da portabilidade no orçamento do consumidor, a Chicago realizou uma simulação com um trabalhador médio, considerando um empréstimo de R$ 15 mil, a ser pago em 36 meses.
O estudo detalha três cenários, com taxas observadas no mercado via Vector360. No cenário de taxa alta, com juros em torno de 9% ao mês, a parcela consome 39% da renda mensal. No cenário intermediário, esse comprometimento recua para 28%. Já no cenário de referência, com portabilidade para taxas de 3,31% ao mês, o impacto cai para 19,7%, o que representa uma redução próxima de 50% no peso da parcela mensal.
“Estamos diante de um divisor de águas para a economia real. Ao permitir que o cidadão seja dono de seu histórico, o Open Finance quebra as amarras de taxas, que chegam, em média, a 117% ao ano no crédito pessoal (CPC), permitindo que a renda antes consumida por juros retorne para o consumo e bem-estar das famílias”, afirma Carlos Jorge, fundador da Chicago.
Competição
Além do efeito direto para o consumidor, a Chicago simulou a dinâmica competitiva entre cinco grandes instituições no segmento de Crédito Pessoal Clean (CPC), modalidade sem garantia que movimenta cerca de R$ 400 bilhões. Segundo o estudo, pouco mais de 25% desse mercado está concentrado nesses agentes, e a portabilidade tende a deslocar participação de instituições com taxas mais altas para aquelas mais agressivas em preço.
Na projeção de movimentação de carteira, aponta o estudo, bancos com taxas menos competitivas aparecem entre os potenciais perdedores. O Bradesco, por exemplo, poderia registrar uma saída líquida estimada em R$ 3,83 bilhões, enquanto o Itaú teria perda de R$ 3,62 bilhões. Do outro lado, o Nubank lidera o potencial de ganho, com uma entrada estimada em R$ 5,60 bilhões.
“A portabilidade estimulará uma redução generalizada dos spreads. Estimamos que a taxa ponderada mensal de mercado do CPC caia de 5% para 4,7% apenas nesta fase inicial, desafiando os grandes bancos a criarem estratégias agressivas de retenção para não perderem seus clientes mais rentáveis”, diz André Olinto, também fundador da Chicago.
A portabilidade via Open Finance já está em programação para o crédito pessoal (CPC), por determinação do Banco Central. A etapa seguinte deve alcançar o crédito consignado – um mercado de R$ 800 bilhões, também marcado por elevada concentração – em data ainda a ser definida pelo regulador.
Para a Chicago, a mudança deve acelerar a troca de instituição. Isso implicará que processos que antes levavam cerca de 20 dias úteis poderão ser concluídos em cinco dias úteis, diretamente pelo aplicativo.
“Com a plataforma Vector360, instituições poderão realizar de forma bastante ágil o benchmarking de taxas de crédito, considerando que a portabilidade de crédito via Open Finance permite que processos que levavam 20 dias úteis sejam resolvidos em apenas cinco dias úteis diretamente pelo aplicativo. Esse conhecimento dos detalhes da dinâmica competitiva é fundamental”, afirmam os fundadores da consultoria.
Contato: francisco.assis@estadado.com
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