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30 de junho de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 30/06/2026 – O presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão Bastos, avaliou que o Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial mantém o desenho do ciclo anterior e traz algum alívio nas taxas de juros, mas não deve ser suficiente para reverter o quadro fraco de vendas de máquinas agrícolas neste ano. “O Plano Safra 26/27 para agricultura empresarial não teve grandes avanços, mas também não decepciona. Ele dá um caráter de continuidade”, disse Bastos ao Broadcast Agro, após participar do anúncio do programa no Palácio do Planalto.
Segundo o dirigente, as taxas das principais linhas de financiamento caíram, em geral, cerca de 1 ponto porcentual, o que é positivo para o setor produtivo. Ele citou reduções nas taxas de linhas como Moderfrota e Pronamp, voltadas ao financiamento de máquinas e ao médio produtor rural.
Apesar do alívio nos juros, Bastos ponderou que o volume destinado ao Moderfrota, principal linha de financiamento para máquinas agrícolas, caiu de R$ 12 bilhões para R$ 5,8 bilhões nesta safra. Parte dessa redução, segundo ele, deve ser compensada por recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com taxa menor, de 9,2% ao ano. “Esse recurso vai repor esse dinheiro que o governo tirou do Moderfrota e vai colocar o recurso da Finep no lugar. Então é um recurso mais barato”, afirmou.
Mesmo com linhas de financiamento mais acessíveis, Bastos disse que a demanda por máquinas agrícolas deve seguir limitada pela baixa rentabilidade do produtor. “Todas essas linhas um pouco mais baratas não vão fazer com que o mercado este ano melhore”, afirmou. “O agricultor está com uma rentabilidade muito baixa e a gente acha que, mesmo tendo recurso mais barato, as vendas não devem melhorar este ano.”
Na avaliação do representante da Abimaq, o Plano Safra preserva a previsibilidade das condições de financiamento, mas não muda o cenário de cautela no campo. Com margens mais apertadas, produtores tendem a seguir seletivos na tomada de crédito e em novos investimentos em máquinas e implementos agrícolas.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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