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24 de junho de 2026
Por Denise Luna
Rio, 24/06/2026 – A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse há pouco que a estatal está retomando algumas obras que a empresa prometeu no passado, como a fábrica de fertilizantes em Mato Grosso do Sul, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), cuja cerimônia de assinatura dos contratos será realizada amanhã, 25, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A unidade será a mais moderna da companhia no setor, informou a executiva.
Ela lembrou que as obras da UFN III foram interrompidas em 2014, e estimou que a operação comercial começará em 2029. A estratégia de expansão inclui não apenas a produção de fertilizantes, mas também o aumento da produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis, como solar e eólica, além de hidrogênio.
“A gente está falando de uma planta de fertilizantes da década de 2010, com a construção interrompida em 2014, portanto há mais de 10 anos, uma unidade que estava com 85% da sua construção integralizada. Agora nós vamos reconstruir, terminar a construção da UFN III e entregar para o Brasil aquele fertilizante que nós tínhamos nos comprometido no passado”, disse Magda em entrevista na véspera do evento na unidade.
Segundo ela, a iniciativa faz parte de um movimento mais amplo da Petrobras de retomar projetos considerados inviáveis no passado, mas que agora são vistos como economicamente viáveis e úteis para o Brasil. Recentemente, foram anunciadas as retomadas das fábricas de fertilizantes no Paraná, Bahia e Sergipe. “Por ser a última a ficar pronta, será a mais moderna do nosso parque”, afirmou.
A presidente da Petrobras destacou que a retomada da UFN III é parte de um esforço para revitalizar a empresa e aumentar sua contribuição para o desenvolvimento nacional. A planta, quando operando em conjunto com outras unidades no Sul e no Nordeste, deverá atender 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. Atualmente, ressaltou, 100% da ureia no Brasil é importada. “Nossa contribuição é relevante”, pontuou.
A Petrobras busca, assim, reduzir a dependência de importações e fortalecer a indústria nacional de fertilizantes, com foco em eficiência e modernização, explicou Magda.
A capacidade nominal da UFN-III está projetada em cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, das quais 180 toneladas são excedentes e disponíveis para a comercialização. A unidade encontra-se em localização estratégica – onde está 40% da demanda por fertilizantes -, adjacente aos maiores mercados consumidores desses produtos, destinando sua produção majoritariamente aos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
Magda destacou que somente a UFN III vai fornecer 15% dos fertilizantes do País, e que a Petrobras estuda a duplicação de todas as suas fábricas de fertilizantes. A construção da UFN III deverá gerar cerca de 8 mil empregos durante a fase de obras e 4.800 postos de trabalho diretos e indiretos na operação.
“Nós estamos contribuindo para uma substituição de importações de uma forma muito relevante e olhando para frente e dizendo, além disso, o que mais que a gente pode fazer com disciplina de capital, bons retornos em torno de negócio para contribuir para esse nosso País. E nisso nós estamos fazendo estudos e considerando a hipótese de duplicar todas essas nossas fábricas”, afirmou.
De acordo com Magda, com a retomada de projetos, a Petrobras busca se posicionar como uma empresa longeva e inovadora, preparada para os desafios das próximas décadas. “Enxergamos uma Petrobras longeva que vai durar mais 72 anos”, afirmou.
A executiva destacou ainda, que as fábricas vão consumir o gás natural produzido pela Petrobras. No caso da UFN III, o consumo será de 2 milhões de metros cúbicos diários (m3/d). “Produzir fertilizantes fideliza o consumo de gás natural que queremos vender. Fertilizantes é mercado de gás na veia”, concluiu.
Contato: denise.luna@estadao.com
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