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26 de junho de 2026
Por Pedro Augusto Figueiredo e Bianca Gomes, do Estadão
Brasília, 26/06/2026 – Adversários na eleição presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) têm um problema em comum: a incerteza sobre o palanque em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País.
O PL depositou as esperanças no senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que só dirá se é candidato ou não depois da Copa do Mundo. O PT decidiu lançar candidatura própria após o senador Rodrigo Pacheco (PSB) recusar o convite de Lula para disputar o pleito. Lula pediu ao presidente do PT, Edinho Silva, que vá a Minas Gerais neste final de semana para tentar convencer a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), a desistir de concorrer ao Senado e se candidatar a governadora. Ela tem manifestado publicamente que não quer a troca.
No bolsonarismo, o presidente do PL de Minas Gerais, o deputado federal Zé Vitor, disse que o partido não “trabalha com a possibilidade” de Cleitinho não ser candidato ao governo. Ele reconhece que o ex-prefeito de Betim, Vittorio Mediolli (PL), e o ex-presidente da Fiemg, Flávio Roscoe (PL), se colocaram como alternativas, mas é taxativo: “A opção é Cleitinho”, afirmou.
Cleitinho e Flávio se encontraram no início do mês em Patos de Minas (MG). O senador mineiro teria pedido prazo, já esgotado, de 10 dias para anunciar sua decisão. Questionado pela reportagem na terça-feira, 23, Cleitinho afirmou que só se manifestará após a Copa do Mundo, que termina em 19 de julho – o prazo para os partidos realizarem as convenções partidárias termina no dia 5 de agosto.
“Não vou tratar de eleição agora. Depois da Copa vocês me chamam, que eu vou tratar se eu vou vir [candidato], se não vou vir. Agora o pessoal não quer saber de eleição, quer saber é da Copa do Mundo, é do São João. Vou respeitar o povo”, disse Cleitinho.
O PT trabalha com um prazo mais curto e quer resolver o palanque até o final do mês. Embora Lula queira Marília como candidata, aliados da petista avaliam que trocar uma candidatura competitiva ao Senado para disputar o Executivo seria “ir para o sacrifício”.
O termo é utilizado porque parte do PT local entende que o desgaste da gestão de Fernando Pimentel (PT), que atrasou salários dos servidores públicos e repasses às prefeituras, será um empecilho considerável para qualquer candidato do partido ao Palácio Tiradentes.
Na semana passada, a ex-prefeita não participou de dois eventos de Lula, realizados em Belo Horizonte (MG) e Divinópolis (MG). A ausência foi interpretada como um gesto de que ela já estava incomodada com a articulação.
Desde então, a pressão aumentou por causa de uma reunião entre Lula e deputados mineiros que reforçaram a decisão pela candidatura própria – novamente, Marília não participou do encontro. Um dia após a reunião, ela disse que é um “equívoco estratégico” o PT ter candidato e defendeu que a sigla apoie alguém de outro partido aliado.
“A realidade política de Minas e os desafios de 2026 exigem capacidade de diálogo, construção de consensos e alianças amplas. Reproduzir uma disputa fortemente polarizada tende a recolocar no centro do debate conflitos que pouco contribuem para enfrentar os problemas concretos dos mineiros, além de dificultar a formação de uma maioria política capaz de sustentar o projeto democrático liderado pelo presidente Lula”, declarou ela.
Para a petista, o caminho seria construir uma “aliança ampla” com siglas de esquerda, como PSB e PDT, e de centro, como o MDB. Os três partidos têm pré-candidatos a governador.
Nas últimas semanas, Marília se aproximou do ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB). O emedebista chegou a se reunir com Edinho, mas enfrenta resistência dos petistas mineiros por dois motivos: ele iniciou a militância política no PSDB, quando os tucanos tinham Aécio Neves (PSDB) como principal liderança em Minas Gerais. Azevedo também foi favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Aliados do emedebista minimizam esse histórico e lembram que Lula se aliou ao também ex-tucano Geraldo Alckmin (PSB) e nomeou ministros que foram favoráveis ao impeachment da ex-presidente.
Outra opção seria retomar o plano original e apoiar um candidato do PSB. Sem Pacheco, os nomes cotados são o ex-procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares, e o empresário Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar.
Atualmente fora do radar, também foi cogitada a reedição da aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), que foi o palanque de Lula em 2022.
A campanha daquele ano foi marcada por atritos entre Kalil e o PT. Após a derrota no pleito regional, houve um distanciamento do ex-prefeito com o governo Lula. Depois da desistência de Pacheco, Edinho se reuniu com Kalil para tentar uma reaproximação, mas as conversas não avançaram.
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