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26 de maio de 2026
Por Antonio Perez
São Paulo, 26/05/2026 – O dólar fechou em leve alta frente ao real nesta terça-feira, 26, voltando ao nível de R$ 5,02. O aumento da percepção de risco geopolítico após ataques dos Estados Unidos ao Irã castigou as divisas emergentes, que devolveram os ganhos do pregão de ontem, quando houve certo otimismo com o avanço nas negociações de paz e a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz.
Embora seja, de certa forma, protegida pela escalada do petróleo, via melhora dos termos de troca, a moeda brasileira já não consegue sair ilesa de momentos de piora da aversão ao risco. Operadores observam que o aumento dos ruídos políticos locais, à medida que a corrida presidencial se aproxima, também traz mais volatilidade à taxa de câmbio.
Após oscilar entre a mínima de R$ 5,0041 e a máxima de R$ 5,0380, o dólar à vista encerrou a sessão em ascensão de 0,17%, cotado a R$ 5,0274. Foi o sexto pregão seguido de fechamento acima do nível de R$ 5,00. A moeda americana acumula ganhos de 1,51% frente ao real em maio, após desvalorização de 4,36% em abril. No ano, as perdas são de 8,41%. Depois do giro bem fraco de ontem, em razão do feriado de Memorial Day nos EUA, houve certa recuperação da liquidez.
“Após a correção observada nas últimas semanas, o real ainda luta para recuperar totalmente seu ímpeto anterior, em um ambiente de maior seletividade em relação às moedas de mercados emergentes e maior sensibilidade ao ruído doméstico”, afirma o analista Pedro Oliveira, do BTG Pactual.
As cotações do petróleo voltaram a se aproximar do nível de US$ 100, com o contrato do Brent para agosto, referência de preços para a Petrobras, encerrando o pregão em avanço de 3,58%, a US$ 99,58 o barril. Ontem à noite, os EUA informaram que realizaram ataques de “autodefesa” contra alvos no sul do Irã, incluindo plataformas de lançamento de mísseis e embarcações com capacidade de espalhar minas. Pela manhã, autoridades iranianas disseram ter derrubado um drone americano e acusaram os EUA de violarem o cessar-fogo em vigor. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse estar pronto para firmar um “acordo digno” com os EUA.
Segundo Oliveira, do BTG Pactual, embora a perspectiva de médio prazo para a divisa local “permaneça construtiva”, dada a posição “relativamente mais forte do Brasil” em meio ao choque dos preços de energia e o diferencial de juros elevado, o cenário de curto prazo parece “menos favorável”.
“A combinação de alta volatilidade e desempenho recente mais irregular reduz a atratividade ajustada ao risco do real no curtíssimo prazo”, afirma o analista do BTG Pactual. “O ponto-chave é que a margem de desempenho diminuiu, e um aumento adicional agora depende mais de uma melhora adicional no cenário doméstico.”
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY acumula alta de pouco mais de 1% no mês. Investidores aguardam a divulgação, nesta quinta-feira, 28, da segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no primeiro trimestre e, sobretudo, do índice de preços de gastos com consumo (PCE) de abril, para calibrar as apostas para a trajetória da taxa de juros nos EUA.
À tarde, em entrevista ao Nikkei Asia, o presidente da distrital de Minneapolis, Neel Kashkari, disse que o Federal Reserve pode “iniciar uma série” de aumentos nas taxas de juros em resposta ao choque inflacionário provocado pela guerra no Oriente Médio. Kashkari é membro votante do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês).
“Investidores anseiam por uma solução em Ormuz, que reduziria o quadro de aversão ao risco e as chances do Fed de subir os juros este ano”, afirma o sócio-diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior.
Contato: antonio.perez@estadao.com
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