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Exclusivo: St Marche acerta venda para Cencosud e pede recuperação judicial para fechar negócio

24 de junho de 2026

Por Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior

São Paulo, 24/06/2026 – O Cencosud fechou acordo para aquisição de 100% da rede de supermercados St Marche, tendo como condição precedente a homologação do pedido de recuperação judicial feita pela varejista nesta madrugada. O valor da transação não foi divulgado. As negociações com o Censosud vinham acontecendo desde o quarto trimestre de 2025.

Com a aquisição, a rede chilena passa a ter uma rede de varejo de alimentos para consumidor premium no Estado de São Paulo, das classes A e B. A rede chilena é dona no Brasil de marcas como Prezunic, Giga Atacado, GBarbosa e Bretas.

“A aquisição vai garantir que o St Mache continue existindo e crescendo junto a uma empresa que é uma dos maiores players globais do varejo”, disse à Broadcast o cofundador e CEO há 24 da St Marche, Bernardo Ouro Preto. Ele lembra que a Cencosud registrou US$ 17,4 bilhões em vendas globais em 2025 e mais de 1.440 lojas em seis países. Ouro Preto segue como CEO da St Marché no mínimo até a conclusão do processo de recuperação judicial, que pode levar cerca de nove meses.

Nos próximos dias serão aportados R$ 25 milhões em capital adicional para reforço de caixa, para que a operação siga rodando intacta com colaboradores e clientes. A transação com a Cencosud terá de receber o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que começa a analisar a aquisição a partir de agora.

O pedido de recuperação judicial feito na madrugada desta quarta-feira acontece oito meses depois de o St Marche ter concluído um processo de recuperação extrajudicial, em outubro do ano passado, quando a venda para o Cencosud já estava sendo negociada.

Segundo Ouro Preto, a decisão de entrar em recuperação judicial foi tomada diante de incertezas trazidas por um dos credores da companhia, que pediu a extinção da recuperação extrajudicial, ampliando as dificuldades no fluxo de caixa da rede e atrasando a venda da companhia.

“A transação com o Cencosud está fechada e acordada, mas tem a condição precedente que é o fim da recuperação judicial”, disse Ouro Preto.

O St Marche foi uma das varejistas pegas pela virada repentina do juro brasileiro, obrigando a rede a renegociar R$ 528 milhões por meio de um plano de recuperação extrajudicial, iniciado em abril do ano passado e concluído em outubro. Nesse processo, recebeu uma capitalização de R$ 90 milhões por meio de um DIP, um tipo de empréstimos feito para empresas em dificuldade financeira, do fundo americano L Catterton, dono de 70% da rede, que aportou R$ 45 milhões no início da recuperação extrajudicial, e o segundo aporte pelo BTG. Um fundo do BTG tinha mais de R$ 280 milhões em créditos do grupo.

A rede implantou um plano de expansão após a pandemia, quando passou de 21 lojas e R$ 700 milhões em faturamento em 2021 para 32 lojas e R$ 1,3 bilhão em receitas em 2024. Nesse período a Selic saiu de mínimas históricas de 2% para 15% afetando de forma importante o caixa da rede de supermercado. Nesse ambiente, a empresa começou a atrasar o pagamento de fornecedores e passou a faltar produtos nas prateleiras. “Um nível de 15% de juros é inviável”, disse Ouro Preto.

Contato: altamiro.junior@estadao.com; cynthia.decloedt@estadao.com

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