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Eventos extremos exigem maior integração entre seguros e reguladores, dizem especialistas

24 de junho de 2026

Por André Marinho*

Londres, 24/06/2026 – O mercado segurador e os reguladores precisam acelerar os esforços de cooperação para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, à medida que os eventos extremos se tornam mais frequentes. A avaliação foi discutida em painel durante evento organizado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) e o Instituto Clima e Sociedade (iCS), em Londres. A conferência acontece no âmbito da London Climate Week, que reúne representantes do setor privado na capital britânica para discutir o tema.

Segundo estudo recente da CNSeg, em parceria com a Ernst & Young (EY), 67 eventos climáticos significativos provocaram perdas econômicas estimadas em R$ 184 bilhões no Brasil. No entanto, uma parcela muito pequena do prejuízo conta com proteção securitária: apenas cerca de 9% das perdas decorrentes de desastres climáticas no País são cobertas por seguro, bem abaixo dos níveis observados em economias desenvolvidas.

Nesse sentido, o CEO da corretora Guy Carpenter no Brasil, Pedro Farme, defendeu que as seguradoras precisam trabalhar não apenas na indenização, mas também na prevenção ao risco. Segundo ele, o setor tem mais de 300 anos de experiência em gestão de risco, o que permite capacidade singular para modelar os impactos de eventos climáticos. “Estamos começando a ver os primeiros movimentos de adaptação, mas ainda estamos longe do necessário”, ressaltou.

Farme citou, como exemplo de avanço, uma parceria recente entre a o Sindicato das Seguradoras de São Paulo (Sindseg) e a prefeitura paulistana focada na prevenção e mitigação de perdas causadas pelas mudanças climáticas. O acordo prevê o compartilhamento de dados para otimizar o processo. De acordo com estudo da Guy Carpenter, desastres naturais extremos poderiam causar prejuízos de cerca de R$ 2,9 bilhões na capital paulista.

Para os especialistas, esse tipo de iniciativa é fundamental para garantir uma postura mais proativa do setor na gestão de casos climáticos. Já existem uma série de mecanismos para incorporar riscos climáticos nos sistemas financeiros, mas os esforços são dispersos, argumentou a assessora especial para financiamento sustentável e investimentos privados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Piera Tortora.

“Os dados de que dispomos hoje subestimam os riscos. Além disso, alguns deles sequer são considerados nas análises. Como resultado, a maioria dos modelos captura apenas uma pequena parcela de todos os riscos aos quais estamos expostos”, afirma Tortora.

Para o diretor de política e finanças da Earth Capital Nexus, ligada à London School of Economics (LSE), Tom Tayler, o avanço das mudanças climáticas deveriam criar os incentivos para os agentes do mercado acelerarem a adaptação, o que não tem acontecido. “Esse precisa ser um esforço colaborativo. O mundo não pode simplesmente esperar que o setor financeiro ou as seguradoras promovam essas mudanças se transformações equivalentes não ocorrerem em outras partes do sistema”, disse.

Contato: andre.marinho@estadao.com

*O repórter viajou a convite da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg)

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