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25 de junho de 2026
Por Henrique Faerman, do Estadão
Rio, 25/06/2026 – O avanço do programa nuclear brasileiro tem esbarrado em desafios históricos, políticos e de percepção pública. Segundo o deputado Julio Lopes (PP-RJ), um dos principais entraves do setor é o marco legal ultrapassado, que não acompanha a evolução tecnológica nem as demandas energéticas atuais do País.
Outro fator crítico, de acordo com o parlamentar, é o desconhecimento da população sobre a energia nuclear. Para ele, a falta de informação dificulta a obtenção de apoio social e político necessário para expandir o setor. “A decisão sobre o futuro do programa nuclear é da sociedade, mas ela precisa ter mais conhecimento sobre o tema”, disse Lopes em painel da manhã desta quinta-feira, 25 de junho, no Energy Summit, que acontece no Rio de Janeiro.
Apesar das dificuldades, o deputado federal afirma que o Brasil apresenta resultados positivos na operação. As centrais nucleares têm desempenho considerado de excelência em nível mundial. Em 2025, por exemplo, Angra 2 foi destaque global, figurando entre as unidades com melhor performance e consolidando-se entre as dez mais eficientes ao longo de sua história do setor.
No entanto, o principal ponto de preocupação é a paralisação das obras de Angra 3. A usina está com cerca de 63% de execução, mas segue sem avanços significativos por razões políticas. O custo estimado para conclusão da obra é de cerca de R$ 24 bilhões.
O deputado destaca ainda que a retomada poderia gerar benefícios diretos para a população, como a redução da pressão tarifária. “Podemos evitar perdas estimadas em R$ 15 bilhões e possibilitar a exportação líquida de energia pelo estado do Rio de Janeiro, além de reduzir as temidas bandeiras tarifárias vermelhas por até quatro anos”, sinaliza.
Décadas de defasagem na produção de radiofármacos
Além da geração elétrica, Lopes alerta para atrasos relevantes em outras áreas estratégicas. O Brasil, segundo ele, enfrenta décadas de defasagem na produção de radiofármacos, operando abaixo de sua capacidade tecnológica. Também destaca a lentidão na conclusão do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), orçado em R$ 600 milhões e que poderia ajudar a diminuir mortes por câncer no país.
No campo das novas tecnologias, ele destaca iniciativas em andamento. A Petrobras, por exemplo, já iniciou estudos sobre os reatores nucleares modulares pequenos (SMRs, na sigla em inglês), considerados uma alternativa mais flexível e moderna para geração de energia.
Outro ponto levantado é a necessidade de avançar na exploração das reservas de urânio em Santa Quitéria, da Jazida de Itataia (CE), estimadas em cerca de 400 toneladas e consideradas estratégicas para garantir a autonomia do país no ciclo do combustível nuclear.
Ao comparar o cenário brasileiro com o internacional, Lopes cita o caso da Finlândia, que concluiu em aproximadamente três anos uma usina semelhante a Angra 3. Para ele, o contraste evidencia problemas de gestão e continuidade no Brasil.
Diante desse cenário, o deputado defende que o país precisa tomar decisões estratégicas de longo prazo. “Não podemos abandonar o programa nuclear. É uma questão de soberania energética, desenvolvimento tecnológico e segurança para o futuro”, conclui.
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