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27 de maio de 2026
Por Bruna Camargo
São Paulo, 27/05/2026 – A Brave Asset está apostando na expansão da sua estratégia de previdência privada como uma das principais avenidas de crescimento da gestora. Pouco mais de três anos após o lançamento, o fundo Brave Previdência atingiu R$ 500 milhões em patrimônio líquido, apoiado em uma estratégia de gestão ativa, baixa volatilidade e foco em crédito conservador.
Com cerca de R$ 5,3 bilhões sobre gestão, a Brave nasceu com foco em crédito estruturado, especialmente em fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). Hoje, aproximadamente R$ 1,5 bilhão estão alocados em estruturas originadas pela própria gestora, enquanto os demais recursos estão distribuídos em fundos de captação e estratégias de renda fixa e crédito privado.
“A Brave é uma casa muito conservadora e sem pressa para crescer”, afirmou Luiz Paulo Martins Bastos, sócio e diretor de Relações Institucionais da gestora, em entrevista à Broadcast. Segundo o executivo, o objetivo da casa não é liderar os rankings de rentabilidade no curto prazo, mas entregar consistência ao investidor em janelas mais longas.
A estratégia da previdência busca justamente replicar esse perfil mais defensivo, de acordo com Bastos. O regulamento limita a exposição a FIDCs e crédito estruturado a 25% da carteira, enquanto o restante é alocado principalmente em debêntures e letras financeiras de forma pulverizada, com nomes mais “óbvios” e vencimentos mais curtos.
Ainda assim, a Brave quer imprimir no fundo o que foi construído com a gestão de estruturados. “Conseguimos trazer todo o DNA da Brave para dentro do produto de previdência”, diz Bruno Gonçalves, especialista em renda fixa e crédito da casa. Ele afirma que a carteira combina pulverização elevada, análise rigorosa de crédito e posições curtas para reduzir volatilidade.
Atualmente, o fundo de previdência possui exposição a 83 grupos econômicos e mais de 170 ativos. A alocação média por emissor fica abaixo de 1% do patrimônio, estratégia que a gestora considera central para atravessar períodos de estresse no mercado de crédito – afinal, nos últimos anos, episódios de recuperação judicial e dificuldades financeiras de empresas pressionaram o segmento de crédito privado.
Gonçalves afirma ter evitado exposição direta aos principais casos recentes ao reforçar critérios internos de análise e monitoramento. Ele diz que a casa prioriza empresas com capacidade de honrar compromissos financeiros sem depender de novas captações para rolar dívidas. Além disso, os limites internos de crédito são revisitados frequentemente pelo comitê da gestora.
A gestora também afirma adotar postura conservadora na gestão de liquidez. O Brave Previdência opera com prazo de resgate de 21 dias úteis e mantém atualmente cerca de 25% da carteira em caixa, acima da média histórica da estratégia. De acordo com a casa, a decisão reflete cautela diante do cenário macroeconômico e do nível considerado apertado dos spreads de crédito.
Apesar de ver uma demanda crescente por crédito estruturado – impulsionada, entre outros fatores, pelo benefício fiscal dos FIDCs – a Brave não tem intenção de expandir patrimônio às custas de maior risco. Bastos diz que a gestora fecha fundos para novas captações com frequência quando entende que a originação de ativos de qualidade se torna mais desafiadora. “Sempre priorizamos a qualidade do crédito”, reforça o executivo.
Contato: bruna.camargo@estadao.com
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