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25 de junho de 2026
Por Gabriel Hirabahasi
Brasília, 25/06/2026 – Ao menos desde agosto de 2025, Jair Bolsonaro perdeu aquilo que, na política, é um dos direitos mais importantes: o de ter a própria voz. O ex-presidente da República continua influente nos bastidores, mas a proibição de falar por si próprio impõe a ele um cenário diferente: todas as suas vontades e opiniões são expostas por meio de terceiros.
Enquanto esses terceiros estão alinhados e a serviço de Bolsonaro, tudo bem. O problema é que eles podem se aproveitar do fato de Bolsonaro não poder desmentir nada publicamente e usar o nome dele como respaldo para as próprias ações.
Não é nenhum segredo que o maior desafio imposto à direita após a prisão do ex-presidente seria manter o clã Bolsonaro unido. O principal embate que se apresentava era justamente o dos filhos de Jair contra Michelle. Durante o mandato de Bolsonaro na Presidência, a relação entre eles já não era das mais amistosas. Depois da prisão do ex-presidente, ficou ainda pior.
O contato de Bolsonaro com o mundo exterior está praticamente restrito a Michelle e Laura (sua filha com a ex-primeira-dama), aos seus advogados e aos seus filhos – principalmente Flávio. São eles que falam para as outras pessoas o que Bolsonaro quer, o que ele pensa, o que ele determina etc. Como sua voz acabou terceirizada a esses aliados, não se trata mais do que Bolsonaro pensa ou manda fazer, mas do que essas pessoas dizem que ele pensa ou manda fazer.
Na quarta-feira, 24, Michelle e Flávio escancararam essa disputa pelo espólio de Jair Bolsonaro. Michelle diz que Jair mandou que ela se opusesse ao acordo no Ceará, feito por bolsonaristas com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB). Também diz que tudo o que faz é combinado com o marido – deixando implícito que o vídeo em que afirma ter se sentido “humilhada” e “apunhalada” por Flávio também foi combinado com Jair. Ao mesmo tempo, Flávio diz que Jair ordenou que ele seja o candidato a presidente em nome do clã e que tudo o que faz em prol da candidatura segue as orientações e diretrizes do pai.
Enquanto Jair permanece recluso por ordens judiciais, todos os que disputam o controle do clã Bolsonaro usam a prerrogativa de acesso ao ex-presidente como forma de justificar suas ações e dar maior autoridade àquilo que fazem.
Os vídeos de Michelle contra Flávio não devem ter grande impacto agora. Até meados de julho, o foco dos brasileiros será a Copa do Mundo. Todo o resto tende a ficar em segundo plano – inclusive a saída do petista Jaques Wagner da liderança do governo no Senado e a operação da Polícia Federal da qual foi alvo no caso Master.
A divulgação dos vídeos ontem, a poucos minutos do jogo da seleção brasileira, foi quase uma tentativa de atingir o mínimo possível de pessoas. Mas é uma munição fortíssima para os petistas usarem daqui para frente para dinamitar todas as investidas de Flávio de se aproximar do eleitorado feminino. Sem dúvida, será utilizado pela campanha de Lula como forma de desmoralizar o filho de Jair perante as mulheres, neste caso valendo-se da autoridade de Michelle para dizer que Flávio “humilha” as mulheres. E, como Michelle disse, tudo o que ela fala é combinado com o marido.
O serviço ‘Análise Política’, do Broadcast Político, reúne análises, comentários e bastidores da política nacional.
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