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A internet dos sentidos

Promessa do 6G é quase ficção científica: internet que transmite cheiros e toques, que transforma hologramas em visitas presenciais

18 de setembro de 2026

Por Circe Bonatelli

Se você acha que a inteligência artificial (IA) surpreende a cada dia com sua capacidade de inovação, espere até ver a nova geração de internet móvel. Enquanto o sinal do 5G é disseminado mundo afora, a indústria de telecomunicações desenvolve pesquisas para o 6G, com chegada estimada para 2030.

O assunto entrou na agenda nacional porque o Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu, neste mês, a consulta pública sobre a proposta de edital para o futuro leilão da faixa de 6 Ghz – que será usada tanto para expansão do 5G quanto para a chegada do 6G.

Empresas como Huawei, Nokia, Ericsson, Qualcomm, entre outras, estão trabalhando nessa nova tecnologia. O setor projeta com o 6G velocidades de dez a cem vezes superiores ao 5G. O tempo de resposta da rede (latência) cairá para menos de 1 milissegundo.

Isso abrirá caminho para se aperfeiçoar e criar novas classes de dispositivos, serviços e aplicações. A capacidade massiva de tráfego de dados vai permitir que a IA tenha um crescimento exponencial no processamento de informações. Milhares de dispositivos também poderão ser conectados simultaneamente. Isso permitirá o surgimento de novas gerações de drones, robôs, veículos, equipamentos industriais e máquinas agrícolas trabalhando de maneira autônoma e coordenada.

Mas o grande frisson em torno do 6G está na expectativa de uma integração ainda maior entre o mundo físico e digital, com experiências sensoriais dignas de filmes de ficção científica. Especialistas dizem que a rede será capaz de transmitir não apenas áudio e vídeo, mas também dados que ativam dispositivos táteis (toque) e simulações de olfato ou paladar, criando experiências de Realidade Virtual (VR) e Realidade Aumentada (AR) totalmente imersivas, como a telepresença via hologramas, e gêmeos virtuais ainda mais realistas.

“No futuro não tão distante, será possível desenvolver equipamentos de redes que reproduzam cheiro e tato de objetos remotos. E a aplicação disso é muito variada. Pode servir desde a indústria de games, transportes e serviços médicos, com maior sofisticação de cirurgias remotas, por exemplo”, afirmou o líder global de pesquisa em telecomunicações da consultoria britânica Omdia, Ari Lopes.

Outra inovação será a capacidade de torres, antenas e demais equipamentos funcionarem como uma espécie de radar, mapeando o espaço ao seu redor em três dimensões, apontou Lopes. “Isso vai ser usado pela indústria de aviação e drones e para um melhor planejamento urbano”, citou.

Embora tudo isso esteja em desenvolvimento, as aplicações no dia a dia devem se tornar realidade só em meados da próxima década. As fabricantes esperam oferecer os equipamentos 6G por volta de 2030. Mas isso é só o primeiro passo.

Também será necessário que cada país reserve e licite a faixa correspondente para o seu uso, que será a de 6 Ghz. Depois disso, as operadoras (como Vivo, Claro e TIM) terão que implementar a cobertura, o que é feito gradualmente ao longo de cinco anos, aproximadamente. Em meio a tudo isso surgem as desenvolvedoras de aplicações para a nova tecnologia.

Hoje, entretanto, a visão das operadoras do Brasil e de outros países é que o ideal seria postergar ao máximo o futuro leilão do 6Ghz. A Anatel prevê a licitação até 2028, mas as teles defendem que isso fique para a virada da década. Elas argumentam que ainda estão concentradas em terminar de implantar o 5G e ganhar dinheiro com isso antes de entrar em novas gerações de internet, o que exige investimentos de dezenas de bilhões de reais.

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