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Visa/Cuy Sheffield: Stabelcoins podem ganhar força com consórcios de empresas não cripto

25 de junho de 2026

Por Aramis Merki II*

São Francisco, 25/06/2026 – As principais stablecoins da atualidade são emitidas por empresas que têm origem no mundo dos criptoativos, mas com o crescimento da adoção destes ativos digitais – criados na blockchain, como o bitcoin, mas pareados a moedas reais -, há a tendência de que o mercado tradicional crie um produto próprio, avalia Cuy Sheffield, vice-presidente global da área cripto da Visa. E o modelo que ele enxerga não é o de cada instituição criando sua moeda digital, mas sim uma operação em uma espécie de consórcio da indústria financeira.

“Não acho que vamos ver cada banco individual tentar criar seu próprio produto”, afirmou. O risco, segundo ele, é a fragmentação: dezenas de moedas digitais com marcas bancárias distintas inviabilizariam a navegação para clientes internacionais. O executivo cita que iniciativas já despontam nos Estados Unidos e na Europa.

A Visa, que tem parceria com a Circle, emissora da USDC, stablecoin atrelada ao dólar, já movimenta cerca de US$ 8 bilhões anuais em liquidações com stablecoins – volume ainda modesto frente aos cerca de US$ 15 trilhões processados pela rede da bandeira. Sheffield vê no modelo de consórcio para a emissão de staeblecoins um caminho para escalar o volume para US$ 100 bilhões.

O crescimento da indústria de stablecoins foi liderado pela Circle, uma empresa ligada à corretora de criptoativos Coinbase, e pela Tether, que emite a USDT, outra divisa digital atrelada ao dólar. Para Sheffield, esse histórico no mercado de ativos digitais limita a percepção do mercado tradicional sobre a tecnologia.

“Será uma forma de as stablecoins se distanciarem ainda mais do cripto, se você tiver produtos criados por players não cripto”, disse. O surgimento de produtos de consórcio bancário seria, em sua visão, o que consolidaria as stablecoins como infraestrutura financeira formal – desvinculada de sua origem e integrada ao sistema regulado.

Os casos de uso emergentes reforçam esse argumento. Sheffield enxerga os produtos como a primeira forma de pagamento em tempo real com alcance verdadeiramente global: diferentemente de sistemas locais, como o Pix, no Brasil, ou o FedNow, nos Estados Unidos. A Visa já opera iniciativas no ecossistema, como cartões vinculados a uma carteira de stablecoin (stablecoin liked-cards), que permitem que o saldo seja usado em qualquer estabelecimento que aceite Visa, com a conversão ocorrendo de forma invisível para o comerciante. O produto tem clientes ativos nos EUA e deve ser expandido internacionalmente.

Quanto às moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), Sheffield é cético em relação ao modelo direto ao consumidor. Em sua avaliação, bancos centrais não estão bem posicionados para operar produtos de varejo. Ele cita o brasileiro Drex como um exemplo interessante, mas o vê como um sistema interbancário. Para ele, a inovação mais promissora para o uso massivo de stablecoins virá da aliança do setor privado.

Contato: merki@Broadcast.com.br

*O repórter viajou a convite da Visa

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