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CNC: Intenção de Consumo das Famílias cresce 0,1% em junho, menor alta desde novembro

25 de junho de 2026

Por Denise Luna

Rio, 25/06/2026 – A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) manteve crescimento em junho – a oitava consecutiva -, apesar de ser a mais fraca desde novembro, quando foi iniciada a sequência de avanços, registrando alta de apenas 0,1%, contra 1,6% em maio. Ainda assim, o indicador alcançou 105,5 pontos e renovou o maior nível ajustado desde março de 2015, informou a CNC nesta quinta-feira, 25.

A CNC aponta que o avanço da confiança perdeu força por causa de uma cautela maior com o futuro do emprego. A Perspectiva Profissional caiu pelo segundo mês seguido (-0,2%) e manteve retração em relação ao ano passado (-6,3%), movimento associado a leves altas recentes da desocupação.

O recuo nas expectativas contrasta, porém, com a percepção sobre a situação atual do mercado de trabalho, descrita como historicamente favorável, com baixa desocupação e aumento de renda, ressaltou a confederação. O componente Emprego Atual avançou 0,2% no mês e acumula alta de 1,8% em 12 meses; 42,2% das famílias ainda veem o momento como mais seguro para trabalhar, indicando receio concentrado no médio prazo.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a chave do resultado está na relação entre emprego e decisão de consumo.

“O trabalhador brasileiro reconhece a força do mercado de trabalho no presente, mas a deterioração das expectativas futuras reflete um receio com as viradas de cenário no médio e longo prazo”, afirmou no relatório do ICF. Segundo ele, “para que a confiança se consolide em consumo real e impulsione o PIB, as famílias e o setor produtivo precisam de um ambiente de mais estabilidade e previsibilidade”, explicou.

Com juros elevados, o Nível de Consumo Atual segue abaixo da linha de satisfação de 100 pontos, em 92,8. Mesmo assim, a Perspectiva de Consumo para os próximos meses acelerou e subiu 0,5% em junho, com alta de 2,9% na comparação anual, apoiada pela desinflação e pela expectativa de continuidade na redução da Selic.

A intenção de compra de bens duráveis foi o principal destaque, favorecida pelo alívio de preços nesse segmento. Em maio, houve deflação de 0,08%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) geral subiu 0,58%; em 12 meses, a inflação dos duráveis foi de 0,78%, ante 4,72% do índice oficial.

Nesse cenário, o indicador de Momento para Compra de Bens Duráveis avançou 1,2% no mês e 20,3% em relação a junho do ano anterior. “O consumidor percebeu uma janela de oportunidade com a deflação de alguns bens duráveis observada ao longo dos meses”, avaliou o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, citando também a influência de instabilidade externa recente.

No recorte por renda, o índice bruto da ICF subiu 3,2% na comparação com junho de 2025, puxado pelas famílias de menor renda, com alta de 3,6%. Esse grupo, porém, recuou 0,1% no mês e interrompeu sete meses de avanço, após queda de 0,6% na perspectiva profissional; já as famílias com renda acima de 10 salários mínimos cresceram 0,5% em junho, com maior otimismo em relação ao mercado de trabalho.

contato:denise.luna@estadao.com

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