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Luiz França: É fundamental garantir novos estímulos aos beneficiários do Minha Casa Minha Vida

25 de junho de 2026

O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), Luiz França, defendeu que o Minha Casa Minha Vida (MCMV) passe por novos ajustes com vistas a atrair mais pessoas da classe média.

“É fundamental garantir novos estímulos aos beneficiários do Minha Casa Minha Vida. Entre estes, a redução de taxas (de juros) na faixa 3 e a ampliação da faixa 4 são fundamentais para garantir que a classe média tenha condições de realizar a compra da casa própria”, discursou, na abertura do evento Abrainc Summit 2026, realizado nesta quinta-feira, 25, na capital paulista.

A declaração do presidente da associação patronal vem após mudanças recentes no programa habitacional. As mudanças aprovadas em março pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) preveem a alteração do limite de renda da faixa 3, de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil, e da faixa 4, de R$ 12 mil para R$ 13 mil. O valor máximo dos imóveis também foi atualizado. Para a faixa 3, passou a ser R$ 400 mil (antes era R$ 350 mil) e para a faixa 4, R$ 600 mil (era R$ 500 mil).

Essas mudanças foram feitas justamente para o programa abranger mais pessoas. Na ocasião, porém, não houve alteração na taxa de juros. A classe média vem sendo espremida no mercado imobiliário, pois os financiamentos do setor têm juros altos, o que esfriou as vendas e reduziu novos projetos para o segmento.

França defendeu também olhar para os recursos advindos do fundo social do pré-sal, que podem gerar cerca de R$ 228 bilhões em recursos adicionais nos próximos quatro anos, de acordo com estimativa da Abrainc. O fundo tem sido usado para complementar a oferta de recursos para o MCMV.

O presidente da Abrainc afirmou que é necessário destravar o potencial do mercado imobiliário de médio e alto padrão – onde os financiamentos são afetados por juros altos. Segundo ele, esse segmento representa cerca de 60% da força de trabalho da construção e movimentou financiamentos na ordem de R$ 1 trilhão nos últimos seis anos.

Sobre a taxa Selic

Luiz França, cobrou a redução dos juros básicos da economia brasileira como forma de permitir o crescimento do setor produtivo.

“Com a economia em crescimento e desemprego baixo, o Brasil reúne condições para enfrentar uma conjuntura complexa nos planos global e doméstico. Porém para o Brasil avançar é mandatório reduzir a Taxa Selic”, disse, durante abertura do Abrainc Summit 2026.

O presidente da Abrainc não citou o governo federal, mas fez críticas indiretas. França frisou que os altos juros derivam dos desequilíbrios fiscais e do “dilema entre cortar na carne e realizar reformas estruturantes, ou adiar os problemas para o próximo governo”.

O representante empresarial lembrou ainda das incertezas no campo geopolítico global, com os reflexos das guerras no Oriente Médio e no Leste Europeu e seus efeitos sobre a inflação. Outro fator são as pressões tarifárias, lideradas pelos Estados Unidos, citou.

A despeito desses problemas macroeconômicos, o presidente da Abrainc destacou que o setor imobiliário brasileiro reúne pontos altos e perspectivas promissoras.

França citou que a demanda pelos imóveis segue expressiva, sendo que 49% dos brasileiros têm intenção em comprar imóvel, segundo pesquisa da consultoria Brain. Além disso, 81% dos incorporadores associados à Abrainc afirmaram que têm interesse em adquirir terrenos para novas incorporações nos próximos 12 meses. A Abrainc tem 98 membros em 16 Estados.

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