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25 de junho de 2026
Por Marianna Gualter, Cícero Cotrim, Mateus Maia e Simone Cavalcanti
São Paulo, 25/06/2026 – As chances de o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar acima do teto da meta, de 4,5%, neste ano passaram de 30% para 79%. A informação foi divulgada no Relatório de Política Monetária (RPM) publicado hoje. Ao mesmo tempo, a probabilidade de o indicador ficar abaixo do piso, de 1,50%, agora é nula, ante 2% no relatório anterior, divulgado em março.
A chance de a inflação de 2027 superar o teto da meta foi revista de 19% para 28%, enquanto a probabilidade de ficar abaixo do piso passou de 10% para 6%. Para 2028, a probabilidade de estouro da meta diminuiu de 17% para 16%. A chance de ficar abaixo no período aumentou de 11% para 12%.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, apurada com base no IPCA acumulado em 12 meses. Se o índice ficar acima ou abaixo do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que o BC não cumpriu o objetivo. Neste caso, o presidente da autarquia precisa enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda explicando os motivos. O centro da meta continua em 3%, com uma margem de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.
Comportamento dos preços
A autoridade monetária projeta que a variação em 12 meses deve somar 4,81% em junho e julho, chegar a 5,17% em agosto e arrefecer para 4,83% em setembro.
No RPM, o BC detalhou que os preços de alimentos devem apresentar variações mais baixas do que as observadas no trimestre encerrado em maio, em período de sazonalidade mais favorável para produtos in natura, mas ponderou que “a provável transição para condições de El Niño no segundo semestre adiciona incerteza aos preços do segmento, usualmente mais voláteis e dependentes de condições de oferta”.
O BC pontuou também que os preços de combustíveis seguem condicionados à evolução das cotações internacionais do petróleo e derivados e às medidas domésticas de subvenção aos preços desses produtos. Acrescentou que as projeções incorporam alta nas tarifas de energia elétrica residencial, com a transição para bandeiras tarifárias mais restritivas.
Risco fiscal
O Comitê de Política Monetária (Copom) passou a considerar as ações fiscais e de crédito anunciadas recentemente pelo governo federal como um risco altista para a inflação pelo seu potencial de estimular a demanda agregada.
“Essas medidas, de caráter fiscal ou de crédito, passam a ser consideradas no cenário de referência apenas quando recentemente aprovadas. Mas, mesmo nesse caso, permanecem incertezas relevantes acerca da magnitude de seu impacto sobre a atividade econômica e a inflação, dadas as especificidades e detalhes envolvendo cada política”, diz o texto.
Contato: cicero.cotrim@broadcast.com.br, marianna.gualter@broadcast.com.br, mateus.maia@broadcast.com.br
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