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24 de junho de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 24/06/2026 – A restrição de crédito ao produtor rural passou a pesar nas compras de fertilizantes no Brasil e ajuda a explicar a menor demanda neste ano, afirmou nesta terça-feira (23) o country manager da Mosaic para Brasil e Paraguai, Eduardo Monteiro. Segundo ele, embora o preço dos fosfatados siga como principal fator de pressão, a dificuldade de financiamento vem adiando decisões de compra e piorando o ambiente comercial nos canais de distribuição.
“O crédito tem sido um gargalo. As instituições financeiras não estão liberando crédito tão fácil”, disse Monteiro a jornalistas, após participar de painel no World Agri-Tech South America 2026, em São Paulo.
Segundo o executivo, a capacidade de pagamento dos agricultores foi afetada pela combinação de margens menores, juros elevados e incerteza sobre medidas em discussão no Congresso para tratar do endividamento rural. Esse quadro, afirmou, tem efeito direto sobre a indústria de distribuição, porque parte dos produtores prefere esperar antes de fechar novas compras.
“O agricultor está esperando e, na expectativa, vem postergando sua decisão”, afirmou. De acordo com Monteiro, conversas com grandes canais de distribuição indicam que a situação entre abril, maio e junho “não melhorou, se deteriorou”, elevando o senso de alerta entre os agentes que oferecem crédito ao setor.
Monteiro disse que é difícil medir quanto da redução do mercado de fertilizantes será explicada pelo crédito, mas afirmou que o fator já contribui para a queda da demanda. “É claro que a questão dos preços do fósforo é o principal driver, mas o crédito tem sido um ponto importante e de atenção”, afirmou.
O executivo também disse esperar crescimento acima da média para bioinsumos neste ano, diante da tentativa dos produtores de compensar parte do menor uso de fósforo. Segundo ele, essas tecnologias ganham espaço quando o agricultor procura alternativas para melhorar a eficiência do que já existe no solo e reduzir a necessidade de novas aplicações.
“Para fazer compensação à falta de fósforo, os bioinsumos vão surpreender toda a cadeia. A gente espera taxas de crescimento maiores do que a média dos últimos anos”, afirmou.
Monteiro ponderou, porém, que os bioinsumos não eliminam a necessidade de fertilizantes minerais. A tendência, segundo ele, é de maior combinação entre agricultura de precisão, produtos biológicos, organominerais e ajustes no pacote de adubação, especialmente entre produtores que não haviam comprado fosfatados antes da alta recente.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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