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Guerra no Oriente Médio desloca janela de oferta de ações para maio e junho

Para executivo, por ora, conflito não afeta ciclo de queda da Selic com projeção para IPCA em 2027 mantida

1 de abril de 2026

Por Cynthia Decloedt, Altamiro Silva Junior, Cristiane Barbieri e Jenne Andrade

A janela de ofertas em bolsa prevista para este fim de março e o mês de abril foi deslocada para entre maio e junho pelo conflito no Oriente Médio, que tem trazido volatilidade aos mercados. Na visão de especialistas, o cenário tende a ficar mais claro nos próximos meses e a guerra, por enquanto, não afeta a trajetória de queda da Selic no longo prazo.

“A curva do juro continua descendente e o Banco Central está preocupado com a taxa em 18 meses”, disse o executivo de um banco de investimento local. Segundo ele, o curto prazo já foi afetado e o corte na Selic esperado caiu de 300 pontos-base em 2026 para 150 pontos-base. Mas a projeção para 2027 se manteve e é isso que os agentes estão olhando, acrescenta.

O Banco Pine e a rede de farmácias Pague Menos captaram metade do que pretendiam em suas ofertas feitas nos primeiros dias do conflito, sinalizando que o melhor seria aguardar. A Riachuelo informou ao mercado no dia 20 a suspensão dos estudos para uma oferta secundária, que poderia movimentar R$ 500 milhões. A Coluna do Broadcast apurou que a oferta deve ser retomada olhando para essa nova janela de maio a junho.

A Vitru, do setor de educação, está em conversa com investidores para testar o apetite e também pode chegar ao mercado no mesmo período. A companhia informou no dia 25, ou seja, com o conflito já em andamento, que avalia a possibilidade de fazer uma oferta subsequente de montante inicial de R$ 200 milhões. “Há outros follow-ons [ofertas subsequentes de ações], que não são públicos, que observam o conflito e devem ser lançados até junho”, disse uma fonte.

As ofertas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) também devem ocorrer nesse mesmo período. Antes, porém, deve ocorrer a privatização da Companhia de Saneamento do Estado de Minas Gerais (Copasa) por meio de um follow-on, abrindo o ciclo de grandes ofertas e definindo a agenda do primeiro IPO em quatro anos na B3 entre Aegea e BRK, empresas da área de saneamento.

Existe a possibilidade de a Aegea entrar na privatização da Copasa como investidor estratégico, o que postergaria seu IPO. A BRK, por sua vez, tende a aguardar as ofertas de Copasa e Aegea para emplacar seu próprio IPO. “O comparável é importante para um IPO e a expectativa é de que as duas operações sejam de sucesso”, afirmou outra fonte.

Já a Compass, com intenção de levantar R$ 5 bilhões, deve ficar para o fim da fila. A subsidiária de distribuição de gás natural do Grupo Cosan corria para protagonizar a reabertura do mercado para IPOs, mas teve o cronograma atrasado por uma disputa entre acionistas sobre o destino dos recursos da captação. A questão envolve mudanças no veículo de investimento que é controlador da Compass, na qual são acionistas a Cosan, o BTG Pactual e o Bradesco. Existe inclusive a possibilidade de o IPO da Compass escorregar para julho, disse um interlocutor com conhecimento do assunto.

Nos Estados Unidos, o maior mercado do mundo para IPOs, houve desaceleração das ofertas, sem fechamentos de operações na última semana, o que por consequência deixa o investidor mais cauteloso com outros mercados pelo mundo. “A volatilidade interrompeu novamente a recuperação dos IPOs nos EUA”, afirmaram os estrategistas da Renaissance Capital ontem. “Quando a estabilidade dos preços retornar, a janela para IPOs deve reabrir relativamente rápido, assim como ocorreu no verão passado [nos EUA].”

Nos EUA, a maior expectativa é pela oferta inicial da SpaceX, de Elon Musk, que pode levantar US$ 75 bilhões, o maior IPO da história. A empresa já teria pedido registro confidencial para fazer a operação, aguardando o melhor momento. “A duração da guerra é o aspecto essencial para determinar o impacto econômico global do conflito”, afirmam os analistas da consultoria internacional TS Lombard, alertando para o risco de recessão nos EUA caso o conflito se prolongue.

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