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iCS junta-se a instituição inglesa para mostrar vantagens do Brasil num mundo em transformação

23 de junho de 2026

Por Cristina Canas

São Paulo, 23/06/2026 – Os atrativos do Brasil como destino de investimentos, neste momento em que está em curso uma mudança da estrutura econômica global, é objeto de um estudo apresentado hoje, durante a programação da London Climate Action Week. O relatório, intitulado Brazil’s Investment-led Growth in the Ecological Transition, afirma que entre US$ 600 bilhões e US$ 800 bilhões são direcionados todos os anos para setores intensivos em energia, como aço, produtos químicos, fertilizantes, combustíveis e materiais industriais. Ele aponta que em todos o Brasil possui vantagens comparativas e estima que a captação de uma pequena parte desse volume de recursos elevaria o crescimento anual do PIB em cerca de 1 a 1,5 ponto porcentual no médio prazo.

O estudo foi feito pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) em parceria com o Centre for Economic Transition Expertise (CETEx) da London School of Economics and Political Science. Principal autor da pesquisa, o professor visitante do CETEx e ex-diretor do Banco Central do Brasil, Luiz Awazu Pereira da Silva, afirmou que “as mudanças climáticas, a transformação tecnológica e a fragmentação geopolítica estão remodelando os padrões globais de investimento” e ressaltou que isso torna as vantagens do Brasil uma grande oportunidade. Para ele, a dúvida é se o País conseguirá converter suas vantagens estruturais em investimentos sustentáveis.

Awazu refere-se a energia limpa, capital natural, capacidade agrícola, minerais críticos e relativa neutralidade geopolítica oferecidos pelo Brasil. Segundo o relatório, esses são ativos suficientes e fortes para atrair investimentos estrangeiros e fomentar uma industrialização verde.

Para isso se concretizar, no entanto, o País tem desafios pela frente. O levantamento lista reformas estruturais e segurança jurídica que eliminem o chamado “custo Brasil”, além de medidas que reduzam os riscos para o capital privado. “O ajuste fiscal é necessário, mas não suficiente, e o crescimento impulsionado pelo consumo, por si só, dificilmente proporcionará os ganhos de produtividade e a transformação estrutural necessários para o desenvolvimento sustentado”, aponta o relatório.

Já sobre a estratégia de atração de investimento privado, os estudiosos defendem que sejam feitos gastos públicos catalíticos por meio, por exemplo, de fundos verdes. Citam também instrumentos parafiscais e de financiamento do desenvolvimento, como garantias públicas, além de finanças combinadas (blended finance) e mecanismos de redução de risco (de-risking), como proteção cambial (hedge).

Comentando o estudo, a diretora-executiva do iCS, Maria Netto, destaca que o Brasil pode oferecer segurança ao mundo em três áreas-chave: energia limpa, em escala e com previsibilidade, e biocombustíveis sustentáveis para o transporte global; minerais críticos extraídos com responsabilidade social e ambiental; e segurança alimentar inovadora. Internamente, destaca a especialista, o País tem a oportunidade de combinar a descarbonização com a reindustrialização, atraindo investimentos e promovendo o fortalecimento social.

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