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23 de junho de 2026
Por Fausto Macedo, Luiz Vassallo e Marcelo Godoy, do Estadão
São Paulo, 23/06/2026 – A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 23, a Operação Miragem, contra supostas fraudes no Banco Digimais. Investigadores pediram à Justiça que bloqueie o mesmo valor de investigados, como é o caso do líder da Igreja Universal, Edir Macedo, dono do banco.
A reportagem busca o contato com a defesa dos investigados.
As investigações nasceram a partir de uma denúncia do Banco Central (BC) enviada à Polícia Federal meses atrás. A suspeita é de que o banco tenha usado fundos de investimentos para maquiar um rombo bilionário.
Entre os alvos das buscas, estão dirigentes do Digimais, como é o caso do bispo João Urbaneja, homem de confiança de Edir Macedo, e seu filho, Thiago Urbaneja, e donos do grupo ID, que gere os fundos do banco.
O bispo Edir Macedo não foi alvo de buscas por residir fora do Brasil.
A Polícia Federal afirma que após Edir Macedo assumir o controle do banco, ele passou a focar em crédito consignado e financiamento de veículos. Houve, segundo a PF, um breve período de crescimento e depois uma “severa” deterioração, com prejuízos expressivos.
Entre 2023 e 2024, então, o banco passou a emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI.
Segundo a PF, a emissão dos CDBs atrelada à “posterior decretação de liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, evidenciou uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões do Banco Digimais a carteiras de crédito da instituição”.
De acordo com investigadores, o banco passou a fazer “sistemática superavaliação de ativos inseridos nos fundos administrados pela corretora ID.
Essa manobra, de acordo com a PF, teve o “o escopo de inflar artificialmente o patrimônio do Banco Digimais para viabilizar a emissão desproporcional de títulos de captação consubstancia fortes evidências da prática de gestão fraudulenta e de inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis”.
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