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Esportes/Rocco: 90% das apostas/bets envolvem atletas do futebol que ganham até um salário mínimo

22 de junho de 2026

Por Francisco Carlos de Assis

São Paulo, 22/06/2026 – O Secretário Nacional de Apostas Esportivas e Desenvolvimento Econômico do Esporte, Giovanni Rocco, relacionou, há pouco, a vulnerabilidade dos jogadores de futebol ao quadro socioeconômico do futebol brasileiro e ao elevado número de apostas feitas por esta categoria de profissionais nas plataformas chamadas “bets” ilegais.

Rocco, que participa nesta manhã da 4ª edição do seminário “O Futuro das Apostas no Brasil”, organizado pelo escritório Pinheiro Neto Advogados, em São Paulo, disse que mais de 80% do volume apostado nas casas está concentrado no futebol e que “90% dos atletas de futebol ganham até um salário mínimo”.

Para ele, esse cenário amplia a pressão sobre a base e exige um processo amplo de educação e estruturação do esporte. “A briga agora é como é que a gente estrutura as categorias de base e a base do esporte brasileiro”, disse.

Ao tratar das consequências para quem se envolve em esquemas, Rocco afirmou que a meta é romper com “a cultura da impunidade”. Ele alerta que, além das punições esportivas, há risco de enquadramentos criminais.

“O atleta precisa entender que ele está cometendo um delito, que ele está fazendo parte de uma quadrilha”, afirmou, citando possíveis crimes, como organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato e formação de quadrilha.

Para sustentar a repressão, o governo investiu na capacitação das forças de segurança e em estruturas de monitoramento. Rocco relata que o Ministério do Esporte financiou passagens e diárias para trazer delegados a treinamentos e criou uma plataforma de ensino com aulas gravadas.

O plano inclui ainda “um sistema de monitoramento em tempo real” e uma sala de situação no Ministério, em linha com exigências internacionais como a Convenção de Macolin, da qual o Brasil passou a fazer parte. A Convenção de Macolin é o único tratado internacional juridicamente vinculativo focado exclusivamente no combate à manipulação de competições e resultados esportivos. Criada pelo Conselho da Europa, ela exige que autoridades públicas cooperem com entidades esportivas e empresas de apostas para prevenir, detectar e punir fraudes no esporte.

A mensagem do secretário é de que a integridade esportiva depende de responsabilização, mas também de orientação preventiva. Na avaliação de Rocco, o objetivo final é proteger o esporte. “É um grande esforço para que a gente proteja o nosso esporte”, disse.

Contato: francisco.assis@estadao.com

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