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22 de junho de 2026
Por Renan Monteiro
Brasília, 22/06/2026 – Uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada hoje, mostra que 29% dos empresários industriais defendem a redução de impostos e a consolidação da reforma tributária como a principal prioridade para o presidente que assumirá a partir de 2027. O equilíbrio fiscal e a melhoria da gestão pública aparecem na sequência, citados como prioridade por 22% dos empresários.
Nesta segunda-feira, 22, a CNI reunirá pré-candidatos à Presidência da República no evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”. Outra pauta considerada urgente para o País, conforme a pesquisa, é o incentivo à indústria e à produção. Esse ponto é mencionado por 21% dos entrevistados.
O levantamento também sondou com os empresários industriais quais deveriam ser as prioridades do poder público em diferentes áreas de atuação do governo, em ordem de urgência. No setor de empregos, cerca de 71% dos empresários apontaram a redução de impostos sobre a folha de pagamento.
O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em fevereiro deste ano, declarou que os encargos sobre a folha de pagamento devem entrar na próxima agenda de reformas econômicas, independentemente do governo que será eleito. Haddad classificou como “muito elevado” os custos para os setores e destacou como exemplo a cota patronal, é a parte que as empresas devem pagar para o INSS.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha no processo de regulamentação da Reforma Tributária sobre o consumo, aprovada via Emenda Constitucional. Em paralelo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já afirmou publicamente que, se eleito presidente, suspenderá por um ano a entrada em vigor da reforma aprovada pelo Congresso Nacional. Segundo ele, durante esse tempo, serão formuladas novas regras.
Ainda sobre a pesquisa da CNI, 48% dos empresários entrevistados citaram o combate à corrupção e o desvio de verbas como a principal prioridade no setor de saúde. Para segurança, 45% mencionaram o combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado. Em educação, 38% elencaram a melhoria da capacitação dos professores.
Juros e mão de obra
Outra constatação relevante no levantamento foi a falta da mão de obra qualificada ter sido tão prejudicial quanto o elevado custo de crédito para o setor no último ano. Os itens “alta carga tributária”, “indisponibilidade de mão de obra” e “taxa de juros elevada” foram citados como os fatores que causaram maior impacto negativo para o setor industrial nos últimos 12 meses.
A sondagem considerou uma escala de 1 a 5, sendo 1 classificado como “não afetou” e 5 como “afetou muito”. Todos os três problemas citados acima ficaram em patamar acima de 4, sendo que juros e mão de obra ficaram empatados.
“A sociedade brasileira espera respostas para termos um País mais justo, com mais oportunidades e menos desigualdade, mas ao mesmo tempo não pode conviver com riscos de manutenção de juros estratosféricos e de excessos de gastos públicos. Se não houver correção de rumo, cada vez mais vai aumentar a distância do país rumo ao desenvolvimento sustentável” declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban, em nota.
Custo Brasil
Dentro do chamado “Custo Brasil”, a redução de impostos apareceu novamente no topo, apontada por 45% dos industriais. Em segundo lugar está a redução de juros e oferta de crédito, indicada por 26% dos empresários. Em terceiro lugar, citado por 21% dos executivos, também aparece o incentivo à indústria e à produção.
Para 72% dos empresários industriais, o corte de gastos para redução da dívida pública é a principal medida a ser tomada pelo próximo governo para permitir uma redução sustentável dos juros no País. A autonomia do Banco Central e a ampliação da concorrência entre bancos seriam os outros fatores necessários para aliviar o custo de crédito.
Contato: renan.monteiro@broadcast.com.brP
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