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23 de junho de 2026
Por Gabriel Hirabahasi
Brasília – A inclusão do Pix como um dos argumentos para justificar uma possível tarifa dos Estados Unidos contra produtos brasileiros é mal vista pela maioria dos eleitores, segundo Indexa Pesquisas divulgada com exclusividade pelo Broadcast Político nesta terça-feira.
A ferramenta de pagamento instantâneo criada pelo Banco Central do Brasil é extremamente bem avaliada, com 93% dos entrevistados dizendo que ela é uma conquista importante para o País.
Para 60% dos entrevistados, a inclusão do Pix no rol de justificativas para a sugestão de tarifa de 25% contra produtos brasileiros, recomendada pelo governo de Donald Trump neste mês, representa uma interferência indevida no Brasil. Outros 16% disseram que não se trata de uma interferência indevida e 20%, que não é uma coisa, nem outra.
Apesar disso, 73% dos eleitores disseram acreditar que os Estados Unidos não participariam ou influenciariam decisões do governo brasileiro sobre o Pix, o que demonstra que a maior parte do eleitorado não vê como factível uma ameaça ao Pix.
Os números dão sustentação à estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de usar a defesa do Pix como um mote para a campanha eleitoral de outubro deste ano. Logo após o anúncio da sugestão de tarifa contra os produtos brasileiros, Lula posou com cartazes defendendo que o Pix é um assunto de soberania nacional.
A pesquisa Indexa também mediu o grau de conhecimento dos eleitores em relação à possibilidade de um novo tarifaço por parte do governo dos Estados Unidos. 82% disseram estar cientes do caso, enquanto 8% afirmaram que não. A divisão da culpa pelo caso é grande: 20% disseram que Lula tem mais responsabilidade pelo caso, 20%, que a responsabilidade é de Trump, e 15%, que a culpa é de Flávio Bolsonaro (PL). A maior parte do eleitorado (35%) não sabe ou não respondeu.
No caso de Lula, algumas das justificativas dos eleitores para atribuir a ele a maior culpa no caso são que ele “é o presidente do Brasil”, que ele “não sabe negociar” e que ele tem um “conflito com Trump”. No caso de Flávio, a principal justificativa é que ele quer “prejudicar o atual governo brasileiro” e “salvar a família Bolsonaro”. No caso de Trump, que ele quer “defender os interesses norte-americanos” e “desestabilizar países”.
A margem de erro estimada é de 2,2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada de 18 a 20 de junho, com 2.000 entrevistas por telefone. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08944/2026.
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